
Don’t be evil. Este é o lema da Google. Durante muito tempo, ele não foi questionado. Depois da compra da DoubleClick, entretanto, muito se tem discutido sobre isso. As consequências poderão ser muito ruins para o seu futuro.
Logo de início, sofreu um processo antitruste movido pela Microsoft e pela AT&T e, logo depois, um outro, questionando o direito à privacidade dos internautas, movido pelo Governo Americano e pela União Européia. Tudo isso, aliado ao fato de que a Google detém hoje cerca de 50% do mercado mundial de buscas na Internet (exceto na China, onde a cultura corporativa e a lentidão provocada pela resistência maior dela que às outras empresas à censura, dá vitória à Baidu), pode se tornar um enorme problema para a gigante das buscas.
O processo antitruste talvez não venha a ter êxito, mas a questão da privacidade poderá exigir da Google maiores providências que apenas reduzir de 24 para 12 meses o tempo de retenção das informações pessoais dos usuários, sob pena de vir a sofrer perdas irreparáveis em sua imagem e em seu valor de mercado.
O mercado é cheio de exemplos, mas vou citar apenas três deles.
A IBM, até então a maior empresa de tecnologia do mundo, foi arrogante e não acreditou no microcomputador. Com isso, permitiu a expansão da Apple e da Intel e o nascimento da Microsoft. Estas duas últimas, quase mataram a IBM, que, por contar com grandes cabeças, soube se reinventar e hoje é novamente uma potência.
A Apple era a maior empresa fabricante de micros do mundo, mas foi arrogante e não permitiu que seu MacOS (reconhecidamente, o melhor sistema operacional da época) fosse amplamente disseminado e não se tornou padrão. Por isso, quase faliu. Hoje, porque é uma das empresas mais inovadoras do mundo, voltou a ser uma gigante.
Mas o exemplo mais contundente é o da própria Microsoft, que, ao incentivar a padronização dos softwares, via cópias até ilegais, se tornou uma gigante. Entretanto, foi arrogante e matou a Netscape, entre outras práticas monopolistas. Isto lhe rendeu processos antitruste, que duraram 7 longos anos, consumiram centenas de milhões de dólares e levou à perda de 63% no valor de suas ações, no pior momento da crise. Entretanto, o maior prejuízo da Microsoft foi o enorme exército de consumidores inimigos da marca, que ela adquiriu. O dano à imagem não tem preço e é quase impossível de ser reparado.
Não podemos nos esquecer, entretanto, que a Microsoft tem seus méritos (e não são poucos). Bill Gates tem seu nome na história da informática e sua empresa já trouxe muitas inovações. Eu arriscaria a dizer que é a empresa que mais importância trouxe para a história recente do software. Mas errou e está pagando muito caro por isso.
A Google vive um rito de passagem, de gigante com ações de mais de US$ 500,00, com supremacia no mercado, o que pode ser considerado fruto de seu próprio sucesso, ou se permitir se tornar monopolista e violadora da privacidade. A linha é muito tênue. Mais do que traçar estratégias de mercado, os seus executivos terão que estudar a História, se quiserem que ela não se repita.
Tomara que eles sejam tão bons em História como o são em buscas na Internet.
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Rômulo de Araújo Mendes é Juiz de Direito em Brasília e especialista em Direito Eletrônico.
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Excelente artigo! Realmente, o Google está começando a pegar pesado. Aquela imagem de ” menino bonzinho” está ficando para trás.
tomare que eles leiam o seu post.. rsrs
muito bom
O paralelo com a Microsoft e outros gigantes da informática é muito relevante. Bom, até agora a Google continua com uma imagem muito boa no público, mas isso pode mudar com a questão da privacidade. Vamos ver se eles aprendem a lição que vem do passado recente dessa indústria.
Ótimo artigo, eu venho pensando muito sobre esse assunto, e vi que a Google está vacilando, mas não a ponto de ser ferrar muito, mas um dia eles vão errar e feio e isso vai trazer uma desvalorização da empresa, como aconteceu com a IBM, Microsoft e Apple. Espero que o erro deles não seja o que viola o seu próprio lema, “Don´t be Evil”
Alguns encaram o Google como a MS de amanhã. E faz todo sentido essa comparação. A adoração que hoje vemos ao Google não é diferente da imagem que a MS tinha dez anos atrás. Hoje a situação é bem diferente. Daqui dez anos pode ser o Google a marca odiada.
Alexandre Fugita,
Você tem toda razão. Por isso, acredito que não devemos demonizar a Microsoft, por ter cometido erros no passado. Afinal, ela foi fundamental num momento da indústria, na qual os consumidores não tinham segurança de interoperabilidade. Ela nos proporcionou isso.
Já para a Google, a grande prova da concorrência parece estar começando agora. Ela poderá tomar um de dois caminhos:
a) não aprender com a História, e sofrer danos à sua imagem, como outras empresas também sofreram;
b) aprender com a História e continuar a ser inovadora e querida pelos consumidores.
A google não vai ser odiada se ela não se meter a besta de começar a cobrar pelos seus serviços considerados básicos hoje, buscas, email, etc… A microsoft é odiada pq cobra :P
Mesmo que o google mantenha seus serviços gratuitos, tem que tomar cuidado com a historia, pq a historia se repete sim, só não sabemos como, nem quando.
“A Sears foi a maior máquina de marketing da primeira metade do século 20, Alguem ainda ouve falar dela? Google vai continuar mantendo esse pique pra sempre? Amanha, daqui a 10 anos ou 50 anos, não se sabe, mas um dia acaba”.