E se o Brasil Seguisse o Exemplo da Google Org?

Rômulo de Araújo Mendes
4 min de leitura

 Google Painel Solar

O Brasil é um exemplo mundial em se tratando de consumo racional de combustíveis. Compete com os Estados Unidos pelo primeiro lugar na produção de etanol e é o segundo na produção de biodíesel. Já adiciona 25% de etanol à gasolina e está iniciando a adição de 2% de biodíesel ao díesel. Nosso etanol é o economicamente mais eficiente do mundo e temos possibilidade de nos transformarmos em 20 anos na Arábia Saudita do etanol, tanto produzido pela garapa, quanto pela celulose derivada dos restos da agricultura. Por fim, cerca de 70% de nossa frota sai de fábrica com motores flex, que, diga-se, já são vendidos na França, como diferencial ambiental, mesmo eles estando apenas iniciando o processo de adição de etanol à gasolina.

Apesar de tudo isso, ainda vivemos o fantasma do apagão elétrico, já em 2010 ou 2011.

Para resolver o problema, o governo quer construir as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira e Belo Monte, no Rio Xingu. Entretanto, encontra grandes problemas ambientais e corre o perigo de não conseguir construir nenhuma delas. Por isso, ameaça construir várias usinas atômicas.

Mas está é a solução?

Tomemos o exemplo da Google Org. Ela conseguiu construir uma usina limpa a energia solar, num espaço de 18.580 m2, aproveitando tetos de edifícios e cobrindo estacionamentos, com capacidade total de geração de 1,6 KlWat.

Se construídas, as hidrelétricas e a atômica de Angra III terão as seguintes capacidades e custos:

USINA CAPACIDADE CUSTO m² NECESSÁRIOS À CONSTRUÇÃO DE UMA USINA SOLAR COM CAPACIDADE CORRESPONDENTE
Santo Antônio 3.168 MegaWats USD$ 7,26 Bilhões 36.788.400 m² = 37.700 Km²
Jirau 3.326 MegaWats USD$ 7,51 Bilhões 38.623.175 m² = 38.600 Km²
Belo Monte 11.181 MegaWats USD$ 11,00 Bilhões 129.839.326 m² = 129.800 Km²
Angra III 1.359 MegaWats USD$ 8,5 Bilhões 15.096 m² = 15 Km²
Total 19034 MagaWats USD$ 34,27 Bilhões 206.155 Km²

A construção destas quatro usinas representariam, portanto, em células fotovoltaicas, uma área equivalente aos territórios dos Estados do Parana e do Sergipe juntos.

É muito? Sem dúvida!

Entretanto, não precisamos pensar em substituir toda a nossa matriz energética por eletricidade fotovoltaica. Além do mais, as placas poderiam servir para o revestimento de coberturas e fachadas de edifícios comerciais, industriais e residenciais em centros urbanos de todos os tamanhos, o que multiplicaria em muito a área de colheita da irradiação solar. Além disso, não haveria necessidade de construção de redes de transmissão, os conhecidos e caros “linhões”.

Para se ter uma idéia do poder deste modal energético, a WalMart, nos EUA, já em 2008, somente consumirá energia solar.

O governo brasileiro poderia incentivar com isenção total de impostos a construção de uma indústria de placas solares em território nacional e permitir que os consumidores domésticos produzissem energia e vendessem no todo e em parte para as empresas de energia. Mais que isso, poderia financiar todos os interessados via BNDES e ainda captar grandes somas de capital, seja com créditos do Protocolo de Kyoto, seja por meio de captação em bolsa de valores através da abertura do negócio de produção de energia solar a investidores nacionais e internacionais.

Estou certo de que esta não seria uma panacéia, mas poderia nos ajudar a evitar um apagão em breve. Além do mais, duvido que encontraria resistências do Ministério do Meio Ambiente e dos ambientalistas.

✨ Curtiu este conteúdo?

O GDiscovery está aqui todos os dias trazendo informações confiáveis e independentes sobre o universo Google - e isso só é possível com o apoio de pessoas como você. 🙌

Com apenas R$ 5 por mês, você ajuda a manter este trabalho no ar e leva informação de qualidade para ainda mais gente!

Clique aqui e faça parte da nossa rede de apoiadores.

9 Comentários