Casamento de Larry Page, Google.Org, 23andMe, aquecimento global, projeto genoma humano, Google Health e busca por energias limpas. Tudo isto pode estar ligado.

Rômulo de Araújo Mendes
8 min de leitura

Google gensVocê deve estar pensando: estes caras do Google Discovery ficaram loucos de vez.

Eu concordo que a tese pode parecer loucura, mas está baseada em uma grande massa de estudos prévios, associados a uma boa dose de deduções e extrapolações (o que não poderia ser diferente, haja visto que nem todos os fatos estão colocados na mesa, pelo menos publicamente).

Trata-se de uma grande massa de informações, com enorme complexidade científica. Procurei ler algumas fontes científicas, mas, certamente, nunca serei especialista nestas áreas. Entretanto, o que li me permitiu fazer algumas deduções, que procurarei resumir, de forma quase telegráfica para vocês.

Tudo começou, quando li Google – A História do Negócio de Mídia e Tecnologia de Maior Sucesso dos Nossos Tempos, de David A. Vise e Mark Malseed (Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2005). No capítulo 26 (Googleandoseus genes, páginas 314 a 326), os autores descrevem um jantar acontecido em fevereiro de 2005, em Monterey, na Califórnia, que teria sido preparado por ninguém menos que Jeff Bezos, da Amazon.com, aparentemente influenciado por seu amigo Ryan Phelan, da DNA Direct, uma importante empresa de testes genéticos. À mesa, além de Bezos e Phelan, estiveram assentados Sergey Brin, sua hoje mulher e sócia da empresa de sequenciamento genético 23andMe, Anne Wojcicki, além do biólogo Craig Venter, um dos maiores geneticistas do mundo e um dos maiores responsáveis pelo sequenciamento do genoma humano.

Segundo os autores, neste jantar teria sido acertada uma parceria entre o Dr. Craig Venter e a Google, no sentido de que os engenheiros e os recursos computacionais da gigante de mídia seriam usados na pesquisa genética. As perspectivas científicas são grandes, seja do ponto da pesquisa científica básica, seja do ponto da pesquisa aplicada na descoberta de novos diagnósticos de doenças ou novos fármacos, que, como sabemos, exigem, cada vez mais, a TI e elevado poder de processamento. São duas coisas que a Google tem de sobra.

Quando Sergey Brin se casou com Anne Wojcicki, em maio deste ano, a Google investiu na 23andMe, a mesma que está começando a vender pacotes de sequenciamento genético e pesquisas genéticas sobre doenças hereditárias e sobre genealogia por USD$ 999.

Hoje, estudando esta matéria, encontrei um post muito interessante, feito em 22 de outrobro de 2006, num blog de biotecnologia da Califórnia. Nele, o autor, Attila Cordash descreve a criação de um tal Google BioLabs, no qual ele mesmo estaria trabalhando com células-tronco, para a regeneração de tecidos humanos. Melhor explicando, ele estaria trabalhando no desenvolvimento de um grande banco de dados de regeneração de tecidos do corpo humano, que seria a base para futuros sistemas de controle de regeneração de tecidos humanos. Não sei se isto seria uma brincadeira. Entretanto, a qualidade dos textos encontrados neste blog me deram a impressão que seria algo com um fundo de verdade. De qualquer forma, acho que devemos tomar esta informação com um pouco de cuidado, até que possamos conhecer melhor a sua origem.

Agora, anuncia-se para breve o casamento de Larry Page com Lucy Southworth. E isto, acredito, tem tudo a ver com o que estamos falando. E não é bobagem, não!

Acontece, que algo que poucos se atentaram é que Lucy Southworth vem a ser Lucinda Southworth, MD, formada em Informática Biomédica, tendo feito seu doutorado pela Stanford University, com área de concentração em análise comparativa de dados de organismos eucarióticos.

Em outras palavras, Lucy Southworth possui conhecimentos em engenharia de software voltado à área de saúde, biologia e biomedicina, o que a liga à Google Health (que, por coincidência, está precisando de um gerente) e também em genética (coincidentemente a profissão de Anne Wojcick e de Craig Venter).

Ainda falta mostrar a ligação de tudo isso com a Google.org, os nossos problemas derivados do aquecimento global e a busca por energias limpas.

Este ano, a Google.org lançou um programa de incentivo às pesquisas para o aprimoramento de veículos movidos a energias alternativas aos combustíveis fósseis e causadores do aquecimento global. Até aí, nenhuma novidade.

Dentre as próximas tecnologias renováveis e não poluidoras ou pouco agravadoras do aquecimento global, temos, além do já conhecido e bom etanol (cujas pesquisas aparentemente não estão sendo incentivadas pela Google), estão o carro elétrico, a célula de combustível e a energia solar.

Dentre estas, a que parece mais difícil de ser aplicada a curto prazo é a célula de combustível movida a hidrogênio. Em verdade, esta tecnologia já existe e não causa nenhuma poluição e, consequentemente, nenhum aquecimento global. É pois, a energia verde por excelência.

Acontece, que a produção de hidrogênio, hoje, consome grande quantidade de energia, o que torna seu processo extremamente poluidor. Assim, se o hidrogênio é verde, sua produção é muito suja. Os grandes desafios são a produção de grande quantidade de hidrogênio, sem liberação de CO² e a construção de uma grande rede de logística de distribuição do combustível, semelhante à que temos no Brasil, para a distribuição do velho e bom etanol. O segundo desafio é mais fácil, porque depende basicamente de investimentos. O que é muito difícil é o primeiro, porque depende de muita ciência básica. Os carros já existem.

Bingo! Depende de muita genética, tecnologia da informação e poder de processamento. Justamente o que Google, Craig Venter e demais citados aqui possuem de sobra!

Está feita a ligação.

Mas não paro por aí.

Na revista Super Interessante de Outubro de 2007, foi publicado um artigo, no qual foi dito que o Dr. Craig Venter estaria fazendo experiências genéticas destinadas a reprogramar organismos unicelulares, com o objetivo de produzir em larga escala, nada menos que hidrogênio.

Vale lembrar aqui uma nova ligação: a Dra. Lucinda Southworth, futura mulher de Larry Page é especialista em organismos eucarióticos, logo, organismos unicelulares.

Penso que seria razoável pensarmos nos seguintes cenários futuros:

  1. Lucy Southworth se unir a Craig Venter e estes à Google, para produzirem hidrogênio em larga escala em baixo impacto ambiental, a partir de organismos unicelulares não existentes na natureza, mas desenvolvidos em laboratório, ou seja, criando vida unicelular; ou
  2. Lucy Southworth ir para a Google Health, talvez como diretora; ou
  3. Lucy Southworth criar sua própria empresa de biotecnologia; ou ainda
  4. Lucy Southworth se unir à equipe da 23andMe.

João, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Joana, que amava Antônio, que amava….. que amava Marília, que não amava ninguém.

PS: advirto que agi deliberadamente em não expor os aspectos éticos e religiosos do tema abordado, porque meu objetivo único era apenas e tão somente demonstrar os caminhos que a ciência está a tomar. Deixo ao julgamento de cada um estes aspectos, que são subjetivos e personalíssimos.

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