Os grandes buscadores poderão tirar alguma vantagem da crise financeira norte-americana?

Rômulo de Araújo Mendes
4 min de leitura

Gráfico das bolsas de valores em queda

Comparemos os valores de fechamento dos mercados em 06/11/2007 e em 22/01/2008, para sabermos como Google, Microsoft e Yahoo! estão sentindo a crise das bolsas:

Empresa

Ação e valor da empresa em 06/11/2007

(USD$)

Ação e valor da empresa em 22/01/2008

(USD$)

Perdas

(USD$)

Google

741,79

(231,889 bilhões)

584,35

(182,810 bilhões)

157,44

(49,070 bilhões)

21,23%

Microsoft

36,41

(340,797 bilhões)

31,96

(299,145 bilhões)

4,45

(41,652 bilhões)

12,22%

Yahoo!

29,93

(40,106 bilhões)

19,86

(26,612 bilhões)

10,07

(13,494 bilhões)

33,65%

Os números aqui apresentados são suficientes para qualquer um dizer que a pergunta feita no título deste “post” é totalmente absurda. Vou mostrar aqui, entretanto, que não é e que, em que pese as perdas evidentes, e que tendem a se acentuar ao longo deste trimestre, pelo menos Google e Microsoft poderão ainda tirar algum proveito da situação.
Está cada vez mais claro de que a crise, que começou no setor imobiliário, passou para os bancos, para a construção civil, para o comércio e parte da indústria, já está chegando ao vale do silício. Afinal, os resultados das empresas de tecnologia não estão sendo nada animadores, tendo afetado, na área da Internet, muito fortemente a Yahoo!, que já se prepara para demitir de 500 até 1500 ou mais empregados e poderá apenas ser mais um passo para a sua fusão com a Microsoft.
Não se enganem. Este é apenas o começo de uma hecatombe.

Em verdade, já há algum tempo eu esperava que houvesse uma crise no setor de tecnologia de ponta. Não em função da queda do mercado imobiliário, como estamos vivendo agora, mas porque muitas empresas de Internet estavam surgindo e recebendo grandes aportes de capital, semelhante ao movimento que ocorreu durante a grande bolha, que surgiu em 1995 e estourou em 2001. A diferença é agora os investimentos são muito mais conscientes e calculados, não havendo propriamente uma bolha. De qualquer forma, teria que haver um momento em que o mercado, naturalmente, desse um freio de arrumação, o que levaria a secar as torneiras e, via de consequência, quebrar muitas empresas nascentes, muitas delas de bom potencial.

Parece que este momento chegou empurrado pela crise imobiliária. Ficarei muito surpreso se não houver uma onda de falências de startups no Vale do Silício, virtude da falta de liquidez do mercado. Nele deverão ficar apenas as empresas auto-sustentáveis e as de potencial muito promissor e evidente aos olhos dos investidores.

Na esteira destas quebras, se realmente ocorrerem, como acredito, sobrarão empresas e patentes baratas, redução do custo de infra-estrutura e, principalmente, muitos engenheiros desempregados com disposição de trabalhar nas empresas consolidadas. Nesta semana, haverá ainda um outro fato econômico, do qual a Google poderá se beneficiará: nesta quinta-feira será o leilão do espectro de 700 Mhz. Você acha que com esta crise toda os preços estarão muito inflados?
Basta lembrar o que aconteceu em 2001. A Google se beneficiou muito com o estouro da bolha da Internet, porque encontrou todos estes fatores, no momento em que já começava a se sustentar.

Há hoje fortes indícios de que Google e Microsoft poderão, apesar das perdas, se beneficiar destes fatores. A Microsoft ainda mais, porque poderá, de quebra levar a Yahoo! para o seu lado. E a primeira batalha já deve estar começando, que é entre as duas, pela absorção dos empregados da Yahoo!

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