Queremos um Street View verde!

Rômulo de Araújo Mendes
6 min de leitura

google-street-view-logoNesta semana tivemos a notícia de que a Google e a Fiat teriam firmado um acordo destinado a iniciar as filmagens destinadas à implementação do serviço Street View em terras tupiniquins. Os termos do contrato não foram divulgados, mas está claro que a Fiat foi a montadora escolhida para o fornecimento da frota de veículos destinados à realização do serviço. Não sabemos também quantos automóveis serão, mas temos a certeza de que o trabalho de filmagem de todas as ruas do Brasil, que terá de ser feito antes da Copa do Mundo de 2014, consumirá um número significativo de veículos, que percorrerá milhares, senão milhões de quilômetros.

É de se preocupar com o volume de combustível a ser consumido nesta tarefa e, via de consequência, a quantidade de CO2, que será lançado na atmosfera. Felizmente, o Brasil é o único país do mundo, que poderá ter seu Google Maps Street View, sem lançar CO2 na atmosfera durante o processo de filmagem dos logradouros.

A questão é simples: a frota será produzida pela Fiat, em Betim – MG e, por ser brasileira, terá, necessariamente, motores flex. O Brasil é o único país do mundo que possui uma rede nacional de postos de abastecimento com etanol de cana-de-açúcar. Este combustível emite um pequeno percentual de CO2 no ambiente, que é compensado com a captura do gás causador do efeito estufa provocado pelo próprio plantido da cana. Assim, se a Google se comprometer a abastecer a sua frota apenas com etanol de cana-de-açúcar (o nosso popular álcool), teremos um Google Maps Street View totalmente verde. Isto é impossível em qualquer outro país do mundo, até mesmo nos Estados Unidos, que é detentor da maior frota de veículos flex do mundo (o Brasil não tem a maior frota de carros flex do mundo), porque lá não há muitos postos de abastecimento de etanol.

Importante é lembrarmos que o automóvel flex abastacido unicamente com etanol é o único veículo realmente verde que existe, porque, se considerarmos que nos países, que produzem carros elétricos, haja vista, Estados Unidos e China, (que são tidos como verdes por excelência), a maior parte da energia elétrica, que eles consomem, tem como base de sua matriz energética o carvão mineral. Em outras palavras, a maior parte da energia consumida pelos carros elétricos é produzida a partir de usinas térmicas a carvão mineral, que é o combustível fóssil mais poluente do mundo. Assim, está desfeito o mito de que o carro elétrico é verde. Em verdade, nas condições atuais de produção de energia, ele é mais sujo que o carro a gasolina. Limpo é o carro flex abastecido com etanol.

Nós brasileiros podemos nos orgulhar de termos a única frota de automóveis do mundo que se move integralmente com algum percentual de biocombustível. Isto porque mesmo os veículos movidos apenas a gasolina recebem também usam álcool, visto que a nossa gasolina recebe adição de 25% de etanol. Além disso, o nosso óleo díesel tem adição de 3% de biodíesel (percentual que será brevemente elevado para 5%). No Brasil, até locomotivas já são movidas a mistura de díesel de petróleo e biodíesel, sendo que a Vale já planeja impulsionar todas as suas locomotivas apenas com biodíesel.

Nenhum outro país é capaz de fazer isso e o Brasil se posta na comunidade internacional como um grante “player” no mercado de energia, notadamente no momento em que todos precisam reduzir suas emissões de CO2 e a adição de biocombustíveis aos derivados de petróleo se mostra como uma solução viável para os próximos 20 anos.

A Petrobras já tem contratos de fornecimento de etanol com o Japão, mas pretende também vender em grandes quantidades para os Estados Unidos, a União Européia e a China. Com o advento do petróleo da camada pré-sal, o Brasil poderá exportar gasolina e díesel já com adição de etanol ou biodíesel, conforme o caso.

Ao fazer o Google Maps Street View Brasil a Google terá uma ótima oportunidade para mostrar se é realmente verdadeiro o seu compromisso com o meio-ambiente. Para tanto, deverá vir a público e se comprometer a somente abastecer os seus veículos com etanol. Isto, além de contribuir para a redução de emissões de gases de causam o efeito estufa, geraria um excelente esclarecimento mundial acerca da matriz energética, que movimenta a nossa frota e incentivando outros povos a também usar biocombustíveis, como nós fazemos.

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