YouTube precisa tomar uma ação contra os vídeos de desafios

Renê Fraga
2 min de leitura

Hot Water Challenge, também conhecido como Boiling Water Challenge, é um desafio feito por YouTubers em que a ideia é totalmente estúpida: jogar água fervente em seus próprios corpos.

Criada como o oposto da Ice Bucket Challenge (“Desafio do Balde de Gelo” no Brasil) – uma ação que arrecadou fundos para pesquisa e ajuda pacientes com esclerose lateral amiotrófica – a “brincadeira” com água quente foi inicialmente criada para chamar a atenção.

Muitos vídeos de paródia, usando efeitos especiais, exibiam YouTubers se colocando à prova contra a água quente. Outros, entretanto, prometiam ter a coragem de expor seus corpos a tal desafio.

São inúmeros os casos de queimaduras graves que podem ser vistos no próprio YouTube, incluindo o vídeo de uma mulher que joga água fervente no corpo do irmão que cai no chão em desespero.

E a coisa não para por aí: outro desafio parecido tem como objetivo beber água quente e compartilhar a reação com o público para ganhar visualizações e inscritos.

Uma criança de oito anos na Flórida, chamada Ki’ari Pope, foi desafiada por sua prima a beber água fervente por meio de um canudo. Ki’ari queimou a boca e a garganta levando a complicações tão sérias que levaram-na à óbito.

O YouTube, todavia, continua a aceitar o upload de conteúdos de desafios que vão desde a arrancar dentes, colocar a mão dentro de uma panela fervente e outras coisas absurdas que podem ser vistas por crianças.

Para tentar desestimular a produção de vídeos de baixa qualidade, o Google tem cortado a publicidade e impedido que canais com menos de 10 mil visualizações tenham acesso as ferramentas de monetização.

Mas somente isso não basta para exterminar os desafios da plataforma. É necessário, com ajuda da própria comunidade e/ou da tão falada inteligencia artificial, remover ativamente os conteúdos degradantes.

Enquanto existir números de visualizações, inscritos e outros incentivos, os desafios vão continuar a existir – mesmo que o YouTuber não ganhe nenhum dinheiro com isso.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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