Até quando o Firefox vai aguentar?

Renê Fraga
3 min de leitura

A ZDNet trouxe uma matéria interessante que questiona até onde a Mozilla vai conseguir seguir como uma fundação independente com seu principal produto perdendo popularidade de forma contínua.

“A cada ano, (…) a participação de mercado do Firefox diminui. Em julho de 2012, o Firefox estava recuando de sua marca recorde de 23,75%”, diz a reportagem ao lembrar de um período em que o navegador parecia manter uma base grande de usuários.

“Em março de 2020, de acordo com o Digital Analytics Program (DAP) do governo federal dos EUA , que mensura os últimos 90 dias de visitas ao site do governo dos EUA , o Firefox havia caído para apenas 3,6% . Em 14 de agosto de 2020, apenas alguns meses depois, ele encolheu ainda mais, para insignificantes 3,3%”.

Além disso, o site lembra que não somente o produto passa por dificuldades, como a própria equipe de engenheiros de software da Mozilla vem sendo reduzida para conseguir manter sua operação ativa.

“A Mozilla acaba de ter sua segunda rodada de demissões. Primeiro, a Mozilla demitiu alguns de seus funcionários mais antigos . Não eram ‘drones’ de escritório. Eles eram os melhores desenvolvedores. Então, em agosto, a Mozilla demitiu quase um quarto de sua equipe”.

As equipes mais afetadas foram as responsáveis pela segurança e pelo próprio desenvolvimento do navegador.

Novo acordo com o Google

Atualmente a maior fatia de sua receita bruta é gerada por parcerias globais, que inclui o acordo negociado com o Google em 2017 para manter a busca de Mountain View como padrão.

O acordo com o Google rende a Mozilla uma bagatela de US $400 milhões a $450 milhões por ano. Mas até quando o buscador vai continuar pagando por um público cada vez menor?

Resiliência

A Mozilla tem uma história de superação e resiliência que ninguém discorda. Depois que o Netscape foi desmantelado pela Microsoft, a fundação renasceu com a criação do Firefox.

Mas os tempos são outros e os usuários parecem menos propensos a experimentar softwares que não conhecem, algo bastante diferente dos early adopters que existiam há alguns anos.

O Firefox pode nunca acabar, afinal, é um software de código aberto e as comunidades de desenvolvedores continuarão a aperfeiçoá-lo.

Mas a Mozilla, como uma organização, pode vir a deixar de existir.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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