Google caminha para repetir a história da Kodak?

Renê Fraga
3 min de leitura

A história da Kodak é frequentemente usada como um exemplo de uma empresa que falhou em adaptar seu modelo de negócios em face de mudanças tecnológicas.

Agora, com a introdução do chatbot Bard, alguns estão questionando se o Google está seguindo o mesmo caminho da Kodak.

No entanto, vale lembrar que o chatbot do Google não é uma substituição da busca tradicional, mas sim uma alternativa de conversação usando inteligência artificial.

Ao contrário da Kodak, o Google tem ativamente investindo em novas tecnologias e buscando se adaptar às mudanças do mercado.

Bard é uma resposta ao ChatGPT, mas não significa que o Google esteja deixando de lado sua busca tradicional ou tenha qualquer obrigação de mudar seus negócios.

Um exemplo é o próprio Bing, da Microsoft. A tecnologia de chatbot da gigante de Redmond vem sendo explorada, mas sem substituir sua busca principal.

A ideia de que o Google precisaria substituir sua busca de conversação com chatbots vem sendo forçada pela imprensa especializada de forma prematura, tentando impor uma narrativa de que Mountain View estaria na berlinda.

É fato que a Kodak falhou em perceber que a fotografia digital seria o novo negócio, enquanto o Google está ciente de que a busca ainda é um aspecto crucial de seus serviços e que há necessidades de avanços em novas frentes.

Neste momento, o chatbot precisa ser entendido como uma adição à oferta de produtos do Google, não uma substituição. E não faria qualquer sentido essa substituição – a não ser colocar em risco tudo o que foi construído nos últimos 20 anos.

O sucesso ou fracasso do chatbot Bard dependerá de sua utilidade para os usuários.

Se ele puder fornecer respostas precisas e relevantes de maneira mais eficiente do que a busca tradicional, então pode se tornar uma ferramenta valiosa para o Google.

No entanto, se mesmo com o Bard os usuários preferirem a busca tradicional, então o chatbot pode se tornar um fracasso.

Sem falar na necessidade dos fornecedores de conteúdo que precisam continuar recebendo tráfego (ou veremos o colapso dos sites na internet).

A história da Kodak é uma lembrança importante de como as empresas precisam se adaptar às mudanças do mercado e abraçar novas tecnologias para continuar sendo relevantes.

Somente o tempo dirá se o chatbot será bem-sucedido ou não. Se sim, naturalmente vai substituir a pesquisa dando tempo para que o Google reveja seus negócios.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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