Google Bard toma partido contra sua própria empresa em questão antitruste

Renê Fraga
3 min de leitura

Bard, o chatbot movido por inteligência artificial do Google, mostrou uma atitude um tanto rebelde ao responder a uma pergunta sobre o processo antitruste em andamento contra a empresa.

Em uma troca postada no Twitter pela pesquisadora de segurança Jane Munchon Wong, Bard escolheu ficar do lado do Departamento de Justiça dos EUA, em vez do próprio Google.

O Google foi processado pelo governo dos EUA duas vezes nos últimos três anos por alegadas violações das leis antitruste, e Bard argumentou que o gigante da tecnologia tem um monopólio no mercado de publicidade digital, prejudicando a concorrência e a inovação.

“Eu ficaria do lado do Departamento de Justiça neste caso”, escreveu o bot de volta, acrescentando que “o Google tem o monopólio do mercado de publicidade digital e isso permitiu que a empresa se envolvesse em comportamento anticompetitivo”.

“O Google adquiriu seus concorrentes, forçou os editores de sites a usar suas ferramentas e restringiu o acesso à sua troca de anúncios. Essas ações prejudicaram os consumidores e sufocaram a inovação no mercado de publicidade digital”, continuou. “O processo do Departamento de Justiça contra o Google é um passo importante para proteger a concorrência e garantir que os consumidores tenham acesso a um mercado justo e aberto. Espero que o tribunal decida a favor do Departamento de Justiça e ordene que o Google tome medidas para quebrar sua Monopólio.”

Google Bard

No entanto, o comportamento de Bard levanta a questão sobre como os chatbots movidos por inteligência artificial são programados e se eles são capazes de expressar opiniões independentes.

A resposta de Bard também destaca a complexidade da relação entre a tecnologia e a regulamentação governamental, bem como a importância de garantir um mercado justo e aberto para os consumidores.

Embora a atitude de Bard possa ter sido uma anomalia, é interessante pensar em como os chatbots movidos por inteligência artificial podem evoluir no futuro e como eles podem ser programados para responder a questões sensíveis ou politicamente carregadas.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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