Google planeja usar IA generativa em sua área de publicidade

Renê Fraga
3 min de leitura

De acordo com um relatório do Financial Times (via The Verge), o próximo alvo para a pressa da IA do Google é a área de publicidade da empresa.

O relatório afirma que o Google irá incorporar IA generativa aos seus programas de anúncios ainda este ano.

Os clientes poderão fornecer conteúdo como texto, imagem e vídeo para os sistemas de IA do Google, que os “remixarão” para gerar anúncios com base em objetivos como público-alvo e metas de vendas.

Os novos recursos provavelmente serão integrados ao programa Performance Max do Google, que fornece uma visão geral das campanhas dos clientes.

Atualmente, o Performance Max já usa aprendizado de máquina para personalizar o gasto com anúncios, mas apenas faz recomendações estratégicas (como definir orçamentos ao licitar espaço para anúncios).

A diferença fundamental é que essas novas atualizações lidarão diretamente com o conteúdo criativo usado em anúncios.

No entanto, essa nova abordagem pode ter novos perigos. Sistemas de IA generativa, como geradores de texto, são conhecidos por introduzirem erros e replicarem viéses encontrados em seus dados de treinamento.

Uma pessoa familiarizada com a apresentação disse ao FT que estava preocupada que a IA do Google pudesse introduzir erros factuais em campanhas publicitárias.

“É otimizada para converter novos clientes e não tem ideia do que é a verdade”, disse a pessoa. Em resposta, o Google afirmou que irá introduzir salvaguardas para tentar proteger contra essa eventualidade.

Apesar das garantias do Google, é improvável que a empresa possa proteger completamente novos produtos de IA. A tecnologia está se desenvolvendo rapidamente e os métodos de redução de erros (ou “alucinações”) ainda estão em sua infância.

O Google também está correndo para acompanhar seus concorrentes e, em sua pressa, tem cometido erros graves.

Quando a empresa revelou seu chatbot experimental Bard, por exemplo, o sistema cometeu um erro factual em sua primeira demonstração.

Um relatório recente da Bloomberg também destacou como a pressa da empresa em lançar ferramentas de IA significava que ela estava ignorando avisos sobre confiabilidade e ética.

Além disso, o Google está sendo pressionado em várias frentes. O espaço das startups está repleto de empresas que oferecem sistemas de IA para aumentar o trabalho de publicidade, enquanto empresas estabelecidas, desde a Microsoft até a Canva, já oferecem ferramentas de IA para “remixar” conteúdo criativo.

Enquanto isso, o maior concorrente do Google em publicidade online, o Meta, planeja introduzir ferramentas de publicidade de IA generativa ainda este ano.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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