Google prioriza velocidade em vez de ética na criação do Bard, dizem funcionários

Renê Fraga
3 min de leitura

A corrida pela supremacia em inteligência artificial está em andamento, com empresas admitindo que errarão, mas ainda assim apressando-se para reivindicar poder em uma nova era da computação.

No entanto, funcionários do Google afirmam que a pressa por velocidade está se sobrepondo às preocupações éticas na criação de novos produtos, incluindo o chatbot de IA Bard.

De acordo com um novo relatório da Bloomberg, que se baseia em documentos internos e entrevistas com 18 trabalhadores atuais e antigos, a Google priorizou a velocidade em detrimento dos compromissos éticos ao lançar o Bard, apesar das grandes preocupações dos funcionários.

Supostamente, os líderes sêniores anularam a avaliação de risco de uma equipe de governança de IA, que afirmou que o Bard não estava pronto. A Google lançou o Bard como um “experimento” em março.

No entanto, o lançamento do Bard foi marcado por problemas. Um vídeo promocional do chatbot, que foi construído com base na pesquisa de inteligência artificial da Google, mostrou o chatbot dando uma resposta equivocada a uma pergunta factual sobre o telescópio James Webb.

As ações da Google caíram imediatamente após o incidente, levando à perda de mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado.

Os funcionários afirmam que os líderes da Google decidiram chamar os novos produtos de IA de “experimentos” para ajudar o público a perdoar eventuais falhas.

A interface do Bard atualmente diz: “Eu sou o Bard, seu colaborador criativo e útil. Tenho limitações e nem sempre acerto, mas seu feedback me ajudará a melhorar”.

Como outros chatbots, em letras menores na parte inferior da tela, diz que “o Bard pode exibir informações imprecisas ou ofensivas que não representam as opiniões da Google”.

Enquanto o Bard é testado publicamente, a Google está trabalhando para atualizar seu mecanismo de busca dominante com recursos de IA e construir uma nova opção de busca alimentada por IA, de acordo com o New York Times.

Os designers, engenheiros e executivos da Google estão trabalhando em “salas de sprint” para testar novas versões – o novo mecanismo de busca seria muito mais personalizado do que o serviço de busca atual.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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