Opinião | Brasil transformou o Telegram numa Deep Web?

Renê Fraga
2 min de leitura

A decisão judicial de bloqueio do Telegram, diante da recusa da empresa em fornecer dados de grupos investigados, pode transformar o serviço de mensagens em uma espécie de deep web no Brasil.

Com o bloqueio, toda e qualquer atividade no Telegram agora escapa ao escrutínio público, dando ainda mais palco para que problemas ocorram livremente.

É fácil burlar o bloqueio com VPNs e proxys, o que torna a medida ineficiente. Enquanto a justiça parece querer prejudicar a empresa de Pavel Durov, acaba alimentando mais problemas.

O Telegram tem mais de 70 milhões de usuários no Brasil, muitos deles o consideram melhor que o WhatsApp. Será difícil imaginar que essas pessoas o abandonarão.

E mesmo que o façam, o Telegram, WhatsApp e Signal funcionam da mesma forma, alegando privilegiarem a privacidade, sem armazenamento das conversas e dos dados de seus usuários.

Qualquer grupo fechado pode ser uma deep web, em qualquer aplicativo, até em grupos familiares. Esses espaços fechados, que funcionam sob uma criptografia ponto a ponto, não deixam rastros e não podem ser indexados pelo Google.

Paradoxalmente, o Telegram até funcionava de forma mais transparente que WhatsApp e Signal, pois possui um mecanismo de pesquisa para encontrar grupos públicos e muitos deles até são monitoráveis, algo inexistente na plataforma de Mark Zuckerberg.

Estamos certamente frente a uma decisão controversa e de consequências imprevisíveis.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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