A decisão judicial de bloqueio do Telegram, diante da recusa da empresa em fornecer dados de grupos investigados, pode transformar o serviço de mensagens em uma espécie de deep web no Brasil.
Com o bloqueio, toda e qualquer atividade no Telegram agora escapa ao escrutínio público, dando ainda mais palco para que problemas ocorram livremente.
É fácil burlar o bloqueio com VPNs e proxys, o que torna a medida ineficiente. Enquanto a justiça parece querer prejudicar a empresa de Pavel Durov, acaba alimentando mais problemas.
O Telegram tem mais de 70 milhões de usuários no Brasil, muitos deles o consideram melhor que o WhatsApp. Será difícil imaginar que essas pessoas o abandonarão.
E mesmo que o façam, o Telegram, WhatsApp e Signal funcionam da mesma forma, alegando privilegiarem a privacidade, sem armazenamento das conversas e dos dados de seus usuários.
Qualquer grupo fechado pode ser uma deep web, em qualquer aplicativo, até em grupos familiares. Esses espaços fechados, que funcionam sob uma criptografia ponto a ponto, não deixam rastros e não podem ser indexados pelo Google.
Paradoxalmente, o Telegram até funcionava de forma mais transparente que WhatsApp e Signal, pois possui um mecanismo de pesquisa para encontrar grupos públicos e muitos deles até são monitoráveis, algo inexistente na plataforma de Mark Zuckerberg.
Estamos certamente frente a uma decisão controversa e de consequências imprevisíveis.
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