Fusão da DeepMind e Google Brain cria maior equipe de IA do mundo

Renê Fraga
3 min de leitura

O fundador do Google, Larry Page, convenceu Demis Hassabis a vender sua empresa de inteligência artificial, a DeepMind, com uma promessa: a startup londrina seria protegida da pressão para gerar lucros para se concentrar em um único objetivo: criar software de computador que iguale ou supere a inteligência humana.

Desde o acordo de £400 milhões em 2014, Hassabis lutou para manter a promessa de Page e, segundo três pessoas com conhecimento sobre seus esforços, foi além.

A DeepMind buscou um status legal independente, semelhante a uma organização sem fins lucrativos, com um conselho de governança independente supervisionando a tecnologia poderosa que estava tentando construir.

No entanto, na última semana, a DeepMind se fundiu com o Google Brain, o próprio laboratório de IA da gigante de tecnologia, sediado na Califórnia.

A fusão significa que Hassabis cederá a independência valorizada da DeepMind em troca de maior poder e influência sobre o futuro da IA.

A unidade recém-formada “Google DeepMind” será liderada por ele, com uma clara missão de desenvolver “sistemas de IA gerais” ainda mais “capazes e responsáveis”, que possam ser integrados em novos produtos e serviços, de acordo com Sundar Pichai, CEO da Alphabet, empresa-mãe do Google.

A reorganização do Google foi desencadeada pelo surgimento da OpenAI, o grupo apoiado pela Microsoft que lançou, em novembro passado, o ChatGPT, um chatbot que fornece respostas de texto plausíveis e nuanciadas às perguntas.

O ChatGPT, usado por mais de 100 milhões de pessoas até janeiro, quebrou a crença do Google de que tinha uma forte liderança na corrida para construir e comercializar IA.

A fusão é uma tentativa do Google de se preparar para a próxima fase da IA, que envolve a criação de modelos de linguagem ainda mais sofisticados e capazes de gerar respostas precisas e úteis para perguntas complexas.

No entanto, a reorganização também apresenta desafios para o Google, que precisa equilibrar a necessidade de desenvolver novos produtos e serviços de IA com a responsabilidade de garantir que essas tecnologias sejam seguras e éticas para os usuários.

A fusão também significa que o coração da operação de IA do Google agora está em Londres, o que pode ter implicações profundas para a empresa e para a indústria de tecnologia como um todo.

Via Financial Times

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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