Cientistas criam decodificador capaz de traduzir pensamentos em texto usando inteligência artificial

Renê Fraga
2 min de leitura

Cientistas desenvolveram um decodificador de linguagem que pode traduzir os pensamentos de uma pessoa em texto.

A tecnologia usa inteligência artificial semelhante ao ChatGPT e é capaz de ler as atividades cerebrais humanas lidas através de uma máquina de ressonância magnética funcional (fMRI).

Pela primeira vez, a linguagem contínua foi reconstruída não invasivamente a partir dessas atividades cerebrais, permitindo que o decodificador leia a mente das pessoas com um nível de eficácia sem precedentes.

Embora ainda esteja em seus estágios iniciais de desenvolvimento, os cientistas acreditam que, um dia, essa tecnologia possa ajudar pessoas com condições neurológicas que afetam a fala a se comunicarem claramente com o mundo exterior.

No entanto, a equipe que desenvolveu o decodificador alertou que plataformas de leitura cerebral podem ter aplicações nefastas, incluindo como meio de vigilância para governos e empregadores.

Eles argumentaram que as “interfaces cérebro-computador devem respeitar a privacidade mental”.

Os pesquisadores treinaram um modelo de inteligência artificial chamado GPT-1, usando comentários do Reddit e histórias autobiográficas, para vincular recursos semânticos das histórias gravadas com a atividade neural capturada nos dados de fMRI.

O modelo foi capaz de aprender quais palavras e frases estavam associadas a certos padrões cerebrais.

Com a ajuda de três participantes humanos que passaram 16 horas em uma máquina de fMRI ouvindo histórias, o decodificador foi capaz de traduzir as narrativas de áudio em texto à medida que os participantes as ouviam.

Embora a tecnologia ainda esteja longe de ser um tratamento prático para pacientes com condições de fala, a equipe espera que futuras iterações do dispositivo possam ser adaptadas a plataformas mais convenientes, como sensores de espectroscopia de infravermelho próximo (fNIRS) que podem ser usados na cabeça de um paciente.

Enquanto os pesquisadores destacam as promessas dessa tecnologia como um novo meio de comunicação, eles também alertam que os decodificadores levantam preocupações éticas em relação à privacidade mental, enfatizando que é importante criar políticas que protejam a privacidade das pessoas.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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