IA do Google e OpenAI desafiam editores de notícias, revela relatório

Renê Fraga
3 min de leitura

Um relatório da News Media Alliance, uma associação comercial que representa cerca de 2.000 editoras nos Estados Unidos e Canadá, levanta preocupações em relação ao uso de inteligência artificial (IA) por empresas como Google e OpenAI para criar conteúdo.

A entidade alega que as empresas de tecnologia estão utilizando predominantemente o conteúdo de alta qualidade produzido por editoras de notícias para treinar sistemas de IA generativos, que competem diretamente com os próprios editores.

A chegada de tecnologias como Bing Chat, Google Bard e a experiência generativa de busca do Google tem gerado preocupação entre os editores de notícias de todos os portes.

Eles temem que a IA generativa substitua os mecanismos de busca tradicionais, o que poderia ter um impacto devastador no tráfego orgânico, na receita e até mesmo na imagem da marca.

Por exemplo, surgiram preocupações sobre a possibilidade de alucinações, como o Bing Chat discutindo o apoio do New York Times a Donald Trump como candidato republicano à presidência em 2024.

De acordo com a News Media Alliance, o relatório apresentado comprova que a associação teria uma base sólida caso decidisse levar o assunto à justiça.

Danielle Coffey, presidente e CEO da News Media Alliance, afirmou ao New York Times: “A IA atua como uma substituição direta para o nosso trabalho. Nossos artigos são simplesmente copiados e reproduzidos sem alteração”.

Até o momento, o Google e a OpenAI não se manifestaram sobre as preocupações levantadas pelos editores. No entanto, é sabido que o Google defende a disponibilidade de todo o conteúdo online para treinamento de IA, a menos que as editoras optem por não participar.

Alguns veículos de imprensa, como o New York Times, já tomaram medidas para evitar o uso de seu conteúdo no treinamento de sistemas de IA.

Embora as empresas de IA ainda tenham formas de acessar o conteúdo para fins de treinamento, como acordos de licenciamento ou rastreamento, é possível que os editores bloqueiem completamente bots como o GoogleBot ou CCbot (Common Crawl).

Além disso, existem opções para impedir que o conteúdo seja exibido em plataformas específicas, como o Bing Chat, utilizando tags como NOCACHE e NOARCHIVE.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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