Google ofereceu US$ 147 milhões para Epic lançar Fortnite na Play Store

Renê Fraga
3 min de leitura

Durante um processo judicial, o Google confirmou que fez uma oferta de US$ 147 milhões à Epic Games para disponibilizar o popular jogo Fortnite na Play Store do Android.

Purnima Kochikar, Vice-Presidente de Parcerias de Jogos do Google Play, revelou que o acordo foi aprovado e apresentado à Epic, mas acabou sendo rejeitado.

Em 2018, a Epic Games optou por lançar o Fortnite diretamente em seu site, evitando a Play Store.

Essa estratégia permitiu que a empresa vendesse a moeda virtual do jogo, V-Bucks, sem ter que pagar as comissões exigidas pelos aplicativos da Play Store.

No entanto, em 2020, a Epic Games cedeu e alegou que a presença de notificações de segurança repetitivas e incômodas a colocava em desvantagem.

Recentemente, em um processo antitruste em andamento, a Epic Games afirmou que sua decisão inicial causou pânico no Google.

Documentos internos foram apresentados como evidência, alegando que o Google temia um “risco de contágio” caso outros desenvolvedores de jogos, incluindo Blizzard, Valve, Sony e Nintendo, seguissem o exemplo da Epic Games.

A Epic Games também alegou que o Google tentou evitar essa situação oferecendo benefícios especiais ou até mesmo considerando a aquisição da empresa.

Durante o julgamento, Lawrence Koh, ex-diretor de desenvolvimento de negócios de jogos do Google Play, apresentou os documentos relacionados ao “risco de contágio”.

Esses documentos revelaram as preocupações do Google de que a maioria dos principais desenvolvedores de jogos abandonasse a Play Store nos dois anos seguintes à decisão da Epic Games, resultando em uma perda de bilhões de dólares em receita para a empresa.

Os documentos mostraram projeções que indicavam que a ausência do Fortnite poderia resultar em uma perda direta de receita entre US$ 130 milhões e US$ 250 milhões, além de uma perda mais ampla de até US$ 3,6 bilhões caso ocorresse uma grande migração de desenvolvedores.

O Google defende que sua preocupação era evitar a perda de jogos na Play Store e alega que não havia nada de errado em suas ações.

No entanto, a Epic Games utiliza esses documentos para argumentar que o Google temia a concorrência na distribuição de aplicativos para Android e que a Play Store manteria um suposto monopólio ilegal.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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