Por que o Google parece favorecer grandes marcas e conteúdo de baixa qualidade

Renê Fraga
2 min de leitura

O Google tem sido acusado de favorecer grandes marcas e conteúdo de baixa qualidade em seus resultados de pesquisa, uma tendência que parece ter se agravado com o tempo.

Embora essa percepção possa ser subjetiva, há evidências que sugerem que algo está acontecendo.

No passado, o algoritmo do Google mostrou um viés em direção a sites de grandes marcas, classificando-os para uma ampla gama de consultas, mesmo que houvesse páginas da web mais relevantes disponíveis. Esse viés foi corrigido, mas a preferência por grandes marcas persiste.

Além disso, o Google tem lutado para lidar com conteúdo de baixa qualidade, como receitas genéricas e artigos não testados.

Embora existam algoritmos destinados a identificar e filtrar esse conteúdo, eles não têm sido totalmente eficazes.

Uma possível explicação para esse dilema é o “Viés de Familiaridade”. Os usuários tendem a preferir conteúdo de fontes familiares, mesmo que seja de qualidade inferior.

O Google, que é fortemente focado no usuário, pode estar priorizando os sinais de engajamento do usuário, que podem refletir esse viés.

Como resultado, o Google pode estar classificando conteúdo que os usuários preferem ver, mesmo que não seja necessariamente o conteúdo mais informativo ou confiável.

O que cria um ciclo em que grandes marcas e conteúdo de baixa qualidade são recompensados, enquanto editores independentes e conteúdo de alta qualidade lutam para competir.

Desta forma, o Google enfrenta um dilema: continuar a classificar o conteúdo que os usuários preferem, mesmo que seja de baixa qualidade, ou priorizar a qualidade do conteúdo, mesmo que isso possa levar a resultados de pesquisa menos familiares ou satisfatórios para alguns usuários.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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