Google demite funcionário que protestou contra acordo com o exército israelense

Renê Fraga
3 min de leitura

O Google demitiu um funcionário que protestou publicamente contra o contrato da empresa com o exército israelense.

Durante uma apresentação do diretor da filial israelense do Google na segunda-feira, o engenheiro do Google Cloud, agora ex-funcionário, levantou-se e protestou, dizendo: “Eu me recuso a construir tecnologia que apoie genocídio ou vigilância”.

A demissão foi confirmada pelo Google, conforme relatado inicialmente pela CNBC, em um e-mail enviado ao The Verge. A porta-voz do Google, Bailey Tomson, afirmou em comunicado por e-mail:

“No início desta semana, um funcionário interrompeu um colega que estava realizando uma apresentação, interferindo em um evento oficial patrocinado pela empresa. Esse comportamento não é aceitável, independentemente da questão, e o funcionário foi demitido por violar nossas políticas”.

O incidente ocorreu durante a Mind the Tech, uma conferência anual de tecnologia israelense em Nova York, durante uma apresentação do diretor-gerente do Google Israel, Barak Regev.

O engenheiro estava protestando contra o contrato do Projeto Nimbus, um contrato de acesso a serviços de nuvem do Google e da Amazon no valor de US$ 1,2 bilhão com o governo israelense.

O funcionário afirmou que o Projeto Nimbus coloca membros da comunidade palestina em perigo e declarou: “Não à apartheid na nuvem”. Ele foi retirado da apresentação pela segurança logo em seguida.

O Google enfrentou críticas por seu envolvimento no Projeto Nimbus desde a assinatura do contrato em 2021. Centenas de funcionários publicaram uma carta aberta se manifestando contra o acordo, argumentando que as tecnologias envolvidas permitem uma maior vigilância e coleta ilegal de dados sobre os palestinos.

A demissão do funcionário gerou uma declaração da organização No Tech For Apartheid, que protesta contra o Projeto Nimbus.

Segundo a organização, o Google está tentando silenciar os trabalhadores para esconder suas falhas morais e o funcionário demitido expressou preocupações pessoais sobre os impactos diretos e violentos de seu trabalho como engenheiro de software de nuvem no projeto.

Desde o início do conflito entre Israel e o Hamas em outubro passado, os funcionários têm realizado protestos, incluindo um “die-in” nos escritórios do Google em San Francisco, e mais de 600 funcionários assinaram uma carta pedindo ao Google que pare de patrocinar a conferência Mind the Tech, de acordo com um relatório da Wired.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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