Funcionários do Google são presos após protesto contra Projeto Nimbus

Renê Fraga
3 min de leitura

Funcionários do Google em Nova York e Califórnia foram presos após um protesto de oito horas contra o envolvimento da empresa no Projeto Nimbus.

Esse contrato de US$ 1,2 bilhão com o governo israelense prevê a prestação de serviços de computação em nuvem pelas gigantes Google e Amazon.

Inconformados com a participação da empresa em um projeto que pode ter fins militares, os trabalhadores ocuparam os escritórios da empresa em ambos os estados.

Em Sunnyvale, Califórnia, o alvo foi a sala do CEO do Google Cloud, Thomas Kurian. Já em Nova York, o protesto se concentrou em uma área comum da filial.

Os detidos argumentam que a tecnologia desenvolvida pode ser usada para fins letais e que o contrato viola os princípios de Inteligência Artificial da empresa. A recusa em deixar os prédios levou à detenção dos manifestantes.

O Projeto Nimbus tornou-se alvo de protestos internos no Google e na Amazon desde 2021. A oposição se intensificou após o recente conflito entre Israel e Gaza.

Mais de 600 funcionários também assinaram uma carta aberta pedindo o fim do patrocínio da empresa em uma conferência de tecnologia israelense.

O Google se defende afirmando que o Projeto Nimbus não está relacionado ao exército israelense.

“Fomos muito claros que o contrato da Nimbus é para cargas de trabalho executadas em nossa nuvem comercial pelos ministérios do governo israelense, que concordam em cumprir nossos Termos de Serviço e Política de Uso Aceitável. Este trabalho não é direcionado a cargas de trabalho altamente sensíveis, classificadas ou militares relevantes para armas ou serviços de inteligência”.

“Os protestos faziam parte de uma campanha de longa data de um grupo de organizações e pessoas que em grande parte não trabalham no Google. Um pequeno número de funcionários manifestantes entrou e invadiu alguns de nossos locais. Impedir fisicamente o trabalho de outros funcionários e impedi-los de acessar nossas instalações é uma clara violação de nossas políticas, e iremos investigar e tomar medidas.”

Anna Kowalczyk, gerente de comunicações externas do Google Cloud.

No entanto, uma reportagem recente indica que a empresa está fornecendo serviços de computação em nuvem para o Ministério da Defesa de Israel.

Os funcionários detidos argumentam que essa informação é prova cabal do envolvimento da empresa em atividades militares, o que motivou o protesto. A empresa, por sua vez, considera a manifestação uma violação de suas políticas e promete investigar e tomar as medidas cabíveis.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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