Cientistas do Google criam vida artificial em computador

Renê Fraga
2 min de leitura

A equipe de pesquisadores do Google anunciou uma descoberta intrigante: a simulação de “vida digital autorreplicante”.

O estudo, realizado em parceria com a Universidade de Chicago, envolve um experimento onde blocos de código, inicialmente não autorreplicantes, passaram a se reproduzir ao longo de milhões de gerações.

Essa descoberta, descrita em um artigo intitulado “Computational Life: How Well-formed, Self-replicating Programs Emerge from Simple Interaction”, provocou reações mistas na comunidade científica.

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A imagem ilustra uma “onda de auto-replicadores” avançando sobre a “sopa primordial” desenvolvida pelos pesquisadores.

A experiência utilizou uma linguagem de programação chamada Brainfuck, escolhida por sua simplicidade, com operações limitadas a incrementos e decrementos de um valor.

Milhares de fragmentos de código foram misturados e executados aleatoriamente, permitindo que se sobrepusessem uns aos outros.

Contra as expectativas iniciais de que os códigos permaneceriam desordenados, surgiram programas autorreplicantes que rapidamente atingiram o limite populacional do experimento.

Segundo Ben Laurie, um dos autores do estudo, essa auto-organização emergente é surpreendente, mas ele ressalta que “não houve mágica”, apenas uma longa sequência de eventos físicos.

Apesar do termo “sopa primordial”, essa experiência não é uma réplica exata das condições da Terra primitiva. Estamos falando de código de computador, não de moléculas orgânicas.

Além disso, a evolução da vida envolve muito mais do que simples auto-replicação. Precisamos de mutações, seleção natural e uma infinidade de outros fatores para chegar a organismos complexos.

É como se tivéssemos dado o primeiro passo em uma jornada de milhões de quilômetros. Ainda temos um longo caminho pela frente.

Será necessário um poder computacional muito maior para avançar além das descobertas atuais e explorar plenamente as implicações dessa pesquisa para a compreensão da vida, tanto digital quanto biológica.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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