Rússia aplica multa ao Google que ultrapassa o PIB mundial

Renê Fraga
3 min de leitura

Em um movimento sem precedentes, um tribunal russo aplicou ao Google uma multa astronômica de dois undecilhiões de rublos – um número com 36 zeros – por restringir canais de mídia estatal russa no YouTube.

Para se ter uma ideia da magnitude, convertendo para dólares, a multa equivale a US$ 20.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.

Um valor muito superior ao próprio valor de mercado da empresa, estimado em US$ 2 trilhões, e até mesmo ao PIB mundial, que gira em torno de US$ 110 trilhões, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O montante absurdo é resultado de um aumento acelerado da penalidade, conforme noticiado pela agência estatal russa Tass.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu que “nem consegue pronunciar esse número”, mas reforçou que a gestão do Google deveria “pagar atenção” à situação.

Até o momento, a empresa não comentou publicamente nem respondeu aos pedidos de declaração da imprensa internacional.

A multa tem origem na restrição de 17 canais de mídia russos no YouTube, um processo que começou em 2020 e se intensificou após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022.

O conflito resultou na saída da maioria das empresas ocidentais do mercado russo, além da imposição de sanções que dificultam qualquer relação comercial com o país.

Como resposta, Moscou adotou contramedidas, incluindo o bloqueio de mídia ocidental e restrições a serviços estrangeiros.

A relação entre o Google e o governo russo vem se deteriorando há anos. Em 2021, o órgão regulador de comunicação da Rússia, Roskomnadzor, acusou a big tech de restringir o acesso do YouTube às emissoras estatais RT e Sputnik, além de supostamente apoiar protestos ilegais.

No ano seguinte, a Rússia impôs ao Google uma multa de 21,1 bilhões de rublos (cerca de R$ 1,6 bilhão) por não remover conteúdo que Moscou considerava “proibido” sobre a guerra na Ucrânia.

Apesar do conflito crescente, os serviços do Google não foram completamente banidos do país. No entanto, sua subsidiária local foi declarada falida em 2022, e a empresa interrompeu suas operações comerciais na região, incluindo publicidade.

O caso mais recente reforça a escalada de tensões entre Moscou e o Vale do Silício, em um cenário onde a liberdade de imprensa na Rússia continua severamente limitada.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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