Google treina o Gemini com dados públicos, não pessoais — em grande parte

Renê Fraga
3 min de leitura

Quando pensamos no Google, é fácil imaginar que ele sabe tudo sobre nós: nossos e-mails, buscas, localização, e até nossas fotos.

No entanto, apesar desse vasto conhecimento, a empresa afirma que não usa a maior parte dessas informações pessoais para treinar seus modelos de inteligência artificial, como o Gemini, seu chatbot avançado. Em vez disso, o foco está no conteúdo disponível publicamente na web.

Mas a história não é tão simples assim. Produtos experimentais e gratuitos do Google, como o Gemini e algumas ferramentas integradas em serviços como Maps e Fotos, podem, sim, usar dados dos usuários para melhorar seus sistemas.

Por exemplo, enquanto o Google garante que não utiliza e-mails do Gmail ou o que digitamos na barra de busca para treinar seus modelos, ele admite que as interações com o Gemini podem ser utilizadas para esse propósito.

Outro ponto interessante é o YouTube. A plataforma, que também faz parte do ecossistema do Google, usa o conteúdo enviado por seus usuários para melhorar suas funcionalidades, como o sistema de recomendação e novas ferramentas baseadas em IA, como dublagem automática.

Por outro lado, o Google é firme ao impedir que outras empresas, como OpenAI e Apple, utilizem conteúdo do YouTube para treinar suas próprias inteligências artificiais.

Mesmo com essas ressalvas, o Google oferece aos usuários alguma autonomia. Ferramentas como a “Atividade de Apps do Gemini” permitem que você escolha se suas conversas com o chatbot podem ser armazenadas e usadas para treinar modelos futuros.

Esse controle é ativado por padrão para maiores de 18 anos e desativado para menores. Além disso, é possível ajustar o tempo de armazenamento dessas interações, com opções que variam de três meses a três anos.

No fim das contas, o que fica claro é que o Google caminha em uma linha tênue entre o uso responsável de dados e o desenvolvimento de ferramentas mais avançadas.

Como consumidores, é importante estarmos atentos às configurações de privacidade e fazermos escolhas conscientes sobre como nossos dados são compartilhados. Afinal, cada interação conta.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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