O que aconteceria se o Google precisar vender o Chrome?

Renê Fraga
3 min de leitura

Recentemente, uma declaração de Eric Schmidt, ex-CEO do Google, trouxe uma nova perspectiva sobre o debate em torno das gigantes da tecnologia.

Durante uma entrevista à CNBC, Schmidt afirmou: “Dividir essas empresas não vai resolver fundamentalmente os problemas que você tem com elas.” 

A frase veio à tona em meio à possibilidade de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos solicitar que o Google seja obrigado a vender o Chrome, seu navegador mundialmente popular.

Mas será que uma decisão assim mudaria algo para os consumidores?

A venda do Chrome abriria espaço para um novo proprietário, mas a questão permanece: quem poderia assumir o navegador? Nomes como Jeff Bezos ou Elon Musk vêm à mente, mas há dúvidas se fariam algo diferente ou melhor do que o Google.

Afinal, o objetivo de toda empresa desse porte é o mesmo: coletar dados e transformá-los em receita, geralmente por meio de publicidade.

Mesmo que a venda aconteça, os novos donos enfrentariam a mesma pressão regulatória que o Google enfrenta hoje, e os consumidores continuariam presos ao mesmo modelo de negócios.

Sem um comprador adequado, o único caminho alternativo seria forçar o Google a encerrar o Chrome — um cenário que parece improvável e altamente prejudicial.

Apesar das críticas à dominância do navegador, ele desempenha um papel fundamental no ecossistema da web moderna, inclusive sustentando navegadores alternativos, como o Firefox, por meio do financiamento indireto.

Enquanto isso, o Chrome permaneceria no centro da coleta e monetização de dados, independentemente do nome que estivesse na porta da empresa responsável.

No fim das contas, a popularidade do Chrome está profundamente conectada à sua integração com outros serviços do Google, como Gmail e Google Drive. Essa sinergia cria uma experiência coesa que os concorrentes ainda não conseguem igualar.

Ao desconectá-lo do Google, o Chrome perderia grande parte de seus diferenciais, como a sincronização perfeita entre dispositivos e o acesso instantâneo aos serviços do ecossistema.

Nesse cenário, ele se tornaria apenas mais um navegador no mercado, diluindo sua relevância e deixando um vácuo que dificilmente seria preenchido de forma significativa.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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