Ex-CEO do Google, Eric Schmidt, critica proposta do governo dos EUA para vender o Chrome

Renê Fraga
3 min de leitura

Em uma entrevista recente ao programa Morning Edition da NPR, Eric Schmidt, ex-CEO e presidente do Google, se posicionou contra a recomendação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) de forçar a venda do navegador Chrome.

A medida surge após um julgamento histórico em agosto, que concluiu que o Google havia violado leis antitruste ao consolidar um monopólio ilegal. Para Schmidt, a proposta é prejudicial aos consumidores e ineficaz no incentivo à concorrência.

Schmidt argumentou que a separação do Chrome do ecossistema do Google comprometeria a experiência do usuário, que busca serviços integrados e seguros.

Segundo ele, o Chrome, líder no mercado de navegadores, acabaria sendo “reintegrado” de alguma forma pelos consumidores e pelas próprias empresas de tecnologia.

“Essa solução não funciona, prejudica os consumidores e é simplesmente uma má ideia”, afirmou. O ex-executivo também destacou que o verdadeiro caminho para combater monopólios é fomentar a competição, especialmente em áreas emergentes como inteligência artificial.

Outro ponto abordado foi a tentativa do DOJ de interromper acordos bilionários entre o Google e a Apple, como o que torna a busca do Google padrão nos dispositivos da fabricante do iPhone.

Schmidt defendeu que tais contratos são resultado de negociações justas entre empresas concorrentes e que interferências externas criam “estruturas artificiais” que podem prejudicar tanto o mercado quanto os consumidores.

“Se o problema é específico e pode ser resolvido legalmente, que assim seja, mas esse não parece ser o caso aqui”, pontuou.

Schmidt aproveitou a oportunidade para comentar sobre sua nova obra, Genesis: Artificial Intelligence, Hope, and the Human Spirit, coescrita com Craig Mundie e o diplomata Henry Kissinger.

Ele expressou preocupação com a velocidade das transformações impulsionadas pela inteligência artificial e o impacto dessa tecnologia na sociedade.

“Estamos diante da chegada de uma inteligência não humana, algo que nunca enfrentamos em 100 mil anos de história”, disse.

Para ele, o futuro depende de como a humanidade responderá a esses desafios, garantindo que permaneça no controle dessa nova era tecnológica.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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