Venda do Chrome e Android pode prejudicar os usuários

Renê Fraga
2 min de leitura

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) está pressionando o Google a se desfazer do Chrome e do Android, alegando que essas plataformas reforçam o domínio da gigante sobre o mercado de buscas.

Mas será que essa estratégia realmente resolveria o problema de concorrência? Especialistas e dados apontam que essa medida pode acabar prejudicando os próprios consumidores.

A batalha legal começou em 2020, quando o DOJ acusou o Google de monopolizar o mercado de motores de busca, utilizando práticas como a pré-instalação obrigatória de seus aplicativos.

Em agosto deste ano, um tribunal federal decidiu contra a empresa, reforçando o argumento de que o Google abusou de sua posição de mercado.

Para mitigar isso, o DOJ propôs uma medida drástica: forçar a venda do Chrome e do Android. No entanto, a relação entre essas plataformas e o domínio do Google nas buscas é questionável.

Enquanto o Chrome representa 57% do mercado de navegadores nos EUA, o Google detém impressionantes 89% das buscas no país.

O que significa que uma grande parcela dos usuários de outros navegadores, como Safari e Firefox, ainda escolhe o Google para suas pesquisas.

Mesmo que o Chrome desapareça, o domínio do Google como mecanismo de busca provavelmente permaneceria intacto.

Além disso, separar o Google do Android significaria comprometer a conveniência que os consumidores têm ao acessar um ecossistema integrado de aplicativos, como Google Maps, Google Drive e Play Store.

Esses serviços gratuitos e altamente funcionais são uma das razões pelas quais os dispositivos Android são tão populares.

Em vez de beneficiar os consumidores, essa fragmentação poderia dificultar a experiência digital, oferecendo menos opções de qualidade e eficiência no mercado.

Embora a intenção do DOJ seja corrigir práticas anticompetitivas, especialistas alertam que suas ações podem trazer efeitos contrários, prejudicando quem mais deveria ser beneficiado: o usuário final.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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