Google é coisa de gente velha?

Renê Fraga
3 min de leitura

Nos últimos anos, o domínio do Google nas buscas online tem enfrentado questionamentos como nunca antes, embora não mostre nenhuma tendência atual de queda.

A frase provocativa “‘Googlar’ é coisa de gente velha” começa a circular entre as gerações mais jovens, refletindo uma mudança de comportamento que ameaça o principal negócio da gigante de Mountain View.

Uma dessas tendências é a mudança no comportamento de usuários mais jovens, que preferem plataformas como TikTok para buscar informações ou Amazon para iniciar suas jornadas de compra.

Dados recentes mostram que 23% dos usuários do TikTok realizam buscas dentro de 30 segundos após abrir o aplicativo, e o volume diário de buscas da plataforma já alcança impressionantes três bilhões.

Essa transição também reflete uma migração dos investimentos publicitários, com o mercado de anúncios em busca nos EUA prevendo que o Google cairá abaixo de 50% de participação em 2025, pela primeira vez em sua história.

Além disso, o crescimento de tecnologias de inteligência artificial, como o ChatGPT, está redesenhando o mercado de buscas – embora nem tudo sejam flores neste momento.

Até mesmo grandes concorrentes, como Microsoft e Apple, integram esses “motores de resposta” diretamente em seus dispositivos, criando um novo desafio para o modelo de negócios do Google.

O próprio Google, reconhecendo a pressão, lançou resumos gerados por IA em suas buscas nos EUA, mas a movimentação reflete o quão intensa é a competição.

Por fim, há uma questão estrutural mais ampla: o impacto no ecossistema da web. Com respostas completas aparecendo diretamente nos resultados de busca, a necessidade de visitar sites diminui, ameaçando a sustentabilidade de produtores de conteúdo e do próprio tráfego que sustenta a internet.

Essa movimento não apenas coloca em risco receitas publicitárias, mas pode levar a um declínio mais amplo na qualidade da informação disponível online.

Para o Google, as próximas etapas serão cruciais para equilibrar inovação com a manutenção de sua relevância em um mercado que já não vê a empresa como a única opção.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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