Google abandona metas de diversidade e reformula estratégia de inclusão

Renê Fraga
3 min de leitura

O Google anunciou mudanças significativas em suas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), abandonando metas específicas para ampliar a representatividade em suas contratações.

A decisão vem em um momento em que grandes empresas de tecnologia estão reavaliando suas estratégias diante de pressões políticas e regulatórias.

Com isso, a empresa deixará de estabelecer objetivos explícitos para recrutamento de grupos historicamente sub-representados, embora ainda mantenha algumas iniciativas internas voltadas para a inclusão.

Em um comunicado interno, Fiona Cicconi, chefe de Recursos Humanos do Google, explicou que, desde 2020, a empresa buscava diversificar seu quadro de funcionários, ampliando operações para além da Califórnia e Nova York.

No entanto, a partir de agora, a empresa passará a focar em uma abordagem mais ampla, sem estabelecer metas concretas para diversidade.

Apesar dessa mudança, os Grupos de Recursos para Funcionários (ERG) continuarão operando, mas o Google está reformulando sua comunicação sobre o tema.

Essa nova postura já pode ser percebida na página de “Pertencimento” do Google, que anteriormente destacava esforços direcionados para inclusão de pessoas com deficiência, igualdade de gênero, comunidade LGBTQ+, equidade racial e inclusão de veteranos.

Imagem relacionada a Google abandona metas de diversidade e reformula estratégia de inclusão
Uma captura de tela da página de Pertencimento do Google em 31 de janeiro, com o texto: “Resolver barreiras para todos significa tomar ações direcionadas. Começamos com estas questões-chave: inclusão de pessoas com deficiência, igualdade de gênero, inclusão LGBTQ+, igualdade racial, inclusão de veteranos.”

Agora, o conteúdo foi substituído por mensagens mais genéricas sobre representar melhor os usuários da empresa e criar um ambiente onde todos possam prosperar.

Além disso, Melonie Parker, anteriormente identificada como Diretora de Diversidade, teve seu título alterado para Vice-Presidente de Operações de Pessoas, e seus pronomes foram removidos da página oficial.

A decisão acontece no contexto das recentes medidas do presidente Donald Trump, que eliminou programas federais de diversidade por meio de uma ordem executiva.

Embora o Google não seja obrigado a seguir essa determinação, a empresa pode estar ajustando sua estratégia para evitar conflitos e manter contratos governamentais.

A Alphabet, controladora do Google, também removeu referências à diversidade em seu relatório anual para a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), indicando um alinhamento com essa nova abordagem mais discreta sobre o tema.

Outras gigantes do setor, como Meta e Amazon, também estão revisando suas políticas de diversidade em resposta ao atual cenário político e econômico.

✨ Curtiu este conteúdo?

O GDiscovery está aqui todos os dias trazendo informações confiáveis e independentes sobre o universo Google - e isso só é possível com o apoio de pessoas como você. 🙌

Com apenas R$ 5 por mês, você ajuda a manter este trabalho no ar e leva informação de qualidade para ainda mais gente!

Clique aqui e faça parte da nossa rede de apoiadores.

Seguir:
Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
Nenhum comentário