‘Pai da IA’ critica Google por abandonar compromisso contra armas

Renê Fraga
2 min de leitura

Geoffrey Hinton, conhecido como o “pai da inteligência artificial”, está preocupado com uma decisão recente do Google.

A empresa decidiu retirar de seus princípios corporativos uma promessa antiga: não usar a IA no desenvolvimento de armas e sistemas de vigilância.

Para Hinton, essa mudança é um exemplo claro de como as empresas priorizam os lucros em detrimento da segurança e da ética.

Hinton, que ganhou o Prêmio Nobel de Física em 2024 por suas contribuições à IA, foi um dos criadores da tecnologia de redes neurais, base da inteligência artificial moderna.

Ele trabalhou no Google por anos, mas deixou a empresa em 2023 para poder criticar publicamente decisões que considera arriscadas. Agora, ele vê a mudança na política do Google como um retrocesso perigoso.

A empresa justificou a decisão afirmando que países democráticos precisam usar a IA para proteger sua segurança nacional, especialmente em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.

No entanto, Hinton e outros especialistas temem que essa abertura permita o desenvolvimento de armas autônomas, que poderiam causar danos sem supervisão humana.

Stuart Russell, outro renomado cientista da computação, chamou a decisão de “perturbadora” e alertou para o risco de criar “armas de destruição em massa baratas e de fácil proliferação”.

A polêmica também gerou reações dentro da própria Google. Funcionários ligados à campanha “No Tech for Apartheid” afirmam que a mudança é uma traição à confiança dos trabalhadores, muitos dos quais nunca concordariam em trabalhar para uma empresa com fins militares.

Eles prometem resistir à decisão, reforçando a ideia de que a tecnologia deve ser usada para o bem da humanidade, e não para sua destruição.

Enquanto isso, o debate sobre os limites da IA continua aquecido, com Hinton e outros especialistas pedindo mais responsabilidade das grandes empresas de tecnologia.

Afinal, como ele mesmo disse: “Não é preciso ser muito inteligente para matar pessoas”.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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