Google lucra bilhões enquanto você prova que não é um robô

Renê Fraga
3 min de leitura

Você já parou para pensar por que, toda vez que acessa um site, precisa provar que não é um robô clicando em fotos de semáforos, ônibus ou bicicletas?

Pois é, esses testes chatos, conhecidos como CAPTCHAs, podem ser muito mais do que uma simples ferramenta de segurança.

Um estudo de 2023 da Universidade da Califórnia em Irvine revelou que o Google, dono do sistema reCAPTCHA, transformou esses testes em uma verdadeira mina de ouro, lucrando bilhões de dólares com os dados coletados.

O estudo, intitulado “Dazed and Confused: A Large-Scale Real-World User Study of reCAPTCHAv2”, mostrou que o Google usa os CAPTCHAs de duas formas principais.

A primeira é através dos testes “invisíveis”, que analisam seu comportamento enquanto você clica na caixinha “não sou um robô”. Esses testes geram cookies de rastreamento, que podem ser usados para direcionar anúncios personalizados.

A segunda forma são os CAPTCHAs baseados em imagens, onde você seleciona objetos como carros, motos ou placas de trânsito. Essas imagens, muitas vezes tiradas do Google Street View, ajudam a treinar os sistemas de inteligência artificial do Google, que depois podem vender esses dados para outras empresas.

Mas o que isso significa na prática? Segundo o estudo, entre 2010 e 2023, os usuários gastaram 819 milhões de horas resolvendo CAPTCHAs. O que equivale a 1.182 vidas humanas inteiras!

E o Google lucrou com isso: os pesquisadores estimam que o valor dos dados coletados pode chegar a US$ 32,3 bilhões, enquanto os cookies de rastreamento geraram um lucro impressionante de US$ 888 bilhões.

Em outras palavras, cada vez que você clica em um CAPTCHA, está ajudando o Google a ganhar dinheiro.

Apesar de todo esse lucro, o estudo questiona a eficácia dos CAPTCHAs. Os bots, programas automatizados que deveriam ser barrados por esses testes, já são mais rápidos que os humanos para resolver CAPTCHAs de caixinhas e quase tão precisos quanto nós nas tarefas de reconhecimento de imagens.

Além disso, os cookies de rastreamento podem representar riscos à privacidade dos usuários.

Para os pesquisadores, o reCAPTCHA não é mais uma ferramenta de segurança, mas sim uma “fazenda de cookies de rastreamento para lucro, disfarçada de serviço de segurança”.

Enquanto isso, o Google continua lucrando com os CAPTCHAs, e nós seguimos clicando em semáforos e ônibus sem saber que, no fim das contas, estamos trabalhando de graça para uma das maiores empresas do mundo.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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