Ex-CEO do Google alerta sobre os perigos da Inteligência Artificial nas mãos erradas

Renê Fraga
3 min de leitura

Eric Schmidt, ex-CEO do Google, levantou preocupações sobre os riscos da inteligência artificial (IA) sendo usada para fins perigosos.

Em entrevista à BBC, Schmidt destacou que a ameaça mais grave não está nos receios comuns sobre IA, mas sim no potencial uso dessa tecnologia por terroristas ou governos considerados hostis.

“O que realmente me assusta não é o que as pessoas normalmente falam sobre IA – eu me refiro a riscos extremos”, afirmou. O ex-executivo mencionou países como Coreia do Norte, Irã e Rússia como possíveis agentes que poderiam explorar a IA para criar armas biológicas altamente destrutivas.

Para evitar esse cenário, Schmidt defende que os governos monitorem de perto o desenvolvimento da IA pelas empresas privadas, garantindo um equilíbrio entre segurança e inovação. No entanto, ele alerta que um excesso de regulamentação pode prejudicar os avanços tecnológicos.

Ele também expressou apoio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de microchips avançados, que são fundamentais para os sistemas de IA mais poderosos.

A medida, implementada pelo governo Biden, visa desacelerar o progresso tecnológico de nações adversárias, mas ainda pode ser revista em futuras administrações, como a de Donald Trump.

“Se um regime com intenções questionáveis tiver acesso a essa tecnologia, os impactos podem ser devastadores”, explicou Schmidt.

O ex-executivo do Google também comparou esse risco ao terrorismo global, mencionando a possibilidade de um “cenário Bin Laden”, no qual um indivíduo mal-intencionado poderia usar a IA para atacar a sociedade de maneiras inéditas.

“Sempre me preocupei com a ideia de que alguém realmente cruel possa explorar a tecnologia para ferir pessoas inocentes”, afirmou. Para Schmidt, é crucial encontrar um ponto de equilíbrio entre regulamentação e inovação, garantindo que a IA não seja usada para fins destrutivos sem impedir o avanço do setor.

“O futuro da IA está sendo moldado por empresas privadas, e os governos precisam compreender essa dinâmica sem criar barreiras excessivas”, disse.

Além das preocupações com IA, Schmidt também abordou o impacto da tecnologia no cotidiano, especialmente entre crianças.

Ele, que liderou o Google durante a aquisição do Android, reconheceu que os smartphones transformaram profundamente a sociedade e agora apoia iniciativas que restringem seu uso nas escolas.

“Nós, da tecnologia, nem sempre antecipamos o impacto real das nossas inovações. Eu mesmo não compreendi isso totalmente no passado, e assumo minha parte de responsabilidade”, afirmou.

Ele defende um controle maior sobre o acesso de crianças às redes sociais e sugere que menores de 16 anos não tenham perfis nessas plataformas.

“Por que estamos conduzindo um experimento tão grande e descontrolado com as pessoas mais importantes para o futuro, que são as novas gerações?”, questionou Schmidt.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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