Anatel investiga falha no sistema do Google que disparou alertas de terremoto

Renê Fraga
3 min de leitura

Na madrugada da última sexta-feira (14/02/2025), milhares de brasileiros em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram surpreendidos por um alerta de terremoto enviado pelo Google.

O aviso, que chegou aos celulares com sistema Android por volta das 2h da manhã, indicava um tremor de magnitude 4,8, seguido por outro de 5,5, com epicentro no mar.

No entanto, o alarme era falso, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já anunciou que vai investigar o ocorrido.

Como o alerta funcionou?

O sistema de alertas de terremoto do Google utiliza sensores presentes em smartphones Android, chamados acelerômetros, que detectam vibrações.

Quando vários aparelhos em uma mesma região registram movimentos semelhantes, o sistema interpreta como um possível tremor e envia alertas automáticos aos usuários. No caso desta madrugada, o mecanismo foi acionado erroneamente, gerando pânico e confusão.

A mensagem enviada aos usuários incluía orientações de segurança, como verificar vazamentos de gás e evitar construções danificadas. No entanto, a Defesa Civil de São Paulo rapidamente descartou a ocorrência de qualquer tremor.

“Não houve registro de movimentação do solo, nem pelo sistema estadual nem pelo nacional. O alerta foi fora do canal oficial de comunicação de riscos”, explicou o coronel Henguel Pereira, coordenador da Defesa Civil de SP.

Resposta do Google e investigação da Anatel

Cerca de dez horas após o incidente, o Google emitiu uma nota explicando que o sistema de alertas de terremoto do Android é complementar e não substitui os canais oficiais. A empresa pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou que está trabalhando para aprimorar a ferramenta.

Já a Anatel, responsável por regular as telecomunicações no Brasil, anunciou que vai investigar o caso.

Carlos Caigorri, presidente da agência, destacou que, embora o Google não seja uma empresa de telecomunicações, ela utiliza as redes para enviar mensagens e, portanto, deve seguir as normas de uso adequado.

“De fato, o Google não é uma empresa de telecomunicações, mas é um usuário das redes de telecomunicações. E, pela lei geral de telecomunicações, os usuários têm o dever de utilizar as redes de forma adequada. E, certamente, utilizar as redes de telecomunicações para espalhar uma mentira e gerar pânico na população não parece ser nada adequado. É fundamental que o cidadão acompanhe os alertas oficiais da Defesa Civil, que são os órgãos dos estados, municípios e da União responsáveis por esse tipo de alerta”, afirmou.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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