Justiça dos EUA: Google terá que vender o Chrome, mas poderá continuar investindo em IA

Renê Fraga
3 min de leitura

O Google enfrenta mais um grande desafio: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos reafirmou que a empresa precisará dividir seus negócios, incluindo a venda do navegador Chrome.

A decisão segue um processo antitruste que já vinha sendo analisado desde o ano passado, quando um juiz federal determinou que a companhia abusou de sua posição dominante no mercado de buscas online.

Segundo o governo, ao vender o Chrome, o Google deixaria de controlar um dos principais pontos de acesso à internet, o que poderia abrir espaço para concorrentes oferecerem mais opções aos usuários.

Além da exigência de vender o navegador, o governo americano também quer impedir que o Google continue pagando empresas como Apple, Mozilla e fabricantes de celulares para manter seu buscador como padrão em dispositivos e navegadores.

Essa estratégia ajudou a empresa a consolidar sua liderança no mercado de buscas, dificultando a concorrência de outros motores de pesquisa. No entanto, nem todas as regras previstas inicialmente foram mantidas.

O Departamento de Justiça decidiu recuar na ideia de forçar o Google a vender suas participações em startups de inteligência artificial, como a Anthropic, que alegou precisar desses investimentos para continuar operando.

Em vez disso, a empresa será obrigada a informar autoridades sempre que fizer novos aportes na área de IA.

O Google, por sua vez, pretende contestar essas medidas e sugerir alternativas. Em uma proposta anterior, a companhia argumentou que as exigências do governo iam além do necessário e sugeriu um modelo mais flexível.

A ideia era permitir que empresas como Apple e Mozilla pudessem continuar firmando acordos com o Google para manter seu buscador como padrão, mas sem exclusividade, possibilitando a escolha de outros concorrentes.

Outra sugestão foi a implementação de um rodízio no navegador, onde a busca padrão mudaria a cada 12 meses.

Agora, a decisão final está nas mãos do juiz Amit Mehta, que já havia classificado o Google como um monopólio no passado. Ele deve avaliar as propostas do governo e da empresa e anunciar as soluções definitivas em abril.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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