Google Maps está mudando a forma como vemos o mundo? Entenda a teoria da ‘cognição estendida’

Renê Fraga
3 min de leitura

Você já parou para pensar como o Google Maps pode estar influenciando não apenas o caminho que você escolhe, mas também a forma como você entende o mundo?

Uma teoria filosófica chamada “cognição estendida” sugere que nossas ferramentas tecnológicas, como os smartphones, estão profundamente integradas à nossa maneira de pensar e agir.

A teoria foi proposta em 1998 pelos filósofos Andy Clark e David Chalmers. Eles argumentam que nossos processos cognitivos não acontecem apenas dentro da nossa cabeça, mas também se estendem para o ambiente ao nosso redor.

Um exemplo simples é o uso de papel e caneta para fazer cálculos complexos. Mesmo que essa tarefa seja feita fora da mente, ainda é considerada parte do nosso pensamento.

Hoje, com os smartphones, essa ideia ganha uma nova dimensão. Nosso celular não só armazena informações, mas também substitui funções como memória, navegação e até tomada de decisões.

Agora, imagine o poder que uma ferramenta como o Google Maps tem sobre nossa percepção do mundo.

Recentemente, nos Estados Unidos, usuários notaram que o “Golfo do México” foi renomeado para “Golfo da América”, e o “Monte Denali” voltou a ser chamado de “Monte McKinley”. Essas mudanças, influenciadas por decisões políticas, foram implementadas pela Google sem consulta pública.

Se a teoria da cognição estendida estiver correta, isso significa que a empresa pode estar alterando não apenas mapas, mas também nossa compreensão do mundo físico — e sem que percebamos.

No contexto da “economia da atenção”, onde empresas de tecnologia competem pelo nosso tempo e engajamento, essa influência se torna ainda mais preocupante.

James Williams, ex-estrategista do Google, alerta que o objetivo dessas plataformas é manter nossos olhos grudados nas telas, seja para clicar, rolar ou ver anúncios. Quanto mais dependemos dessas ferramentas, mais elas moldam nossa forma de pensar.

E, se a Google pode mudar nomes de lugares da noite para o dia, qual é o limite entre persuasão e manipulação? A teoria da cognição estendida nos convida a refletir sobre como a tecnologia está moldando não apenas nossas ações, mas também nossa mente.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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