Mozilla perde financiamento governamental e busca doações para manter projetos

Renê Fraga
3 min de leitura

A Mozilla Foundation, organização responsável pelo navegador Firefox, anunciou que perdeu um importante financiamento da USAID, agência do governo dos EUA que destina recursos a projetos sociais ao redor do mundo.

A empresa, que já perdeu US$ 2,5 milhões e prevê perder mais US$ 1,05 milhão em breve, agora busca doações para manter algumas de suas iniciativas.

Esse financiamento era essencial para dois grandes projetos da Mozilla. O primeiro, chamado “Responsible Computing Challenge”, treinava novos profissionais de tecnologia para desenvolverem soluções mais éticas e inclusivas.

Sem esse suporte, programas educacionais na Índia, no Quênia e na África do Sul correm o risco de serem encerrados.

Já o segundo projeto, “Common Voice”, tinha como objetivo criar um banco de dados global de voz para que tecnologias de reconhecimento de fala compreendam melhor diferentes idiomas e sotaques.

Com os cortes, populações que falam línguas menos populares podem ficar ainda mais distantes do avanço tecnológico.

Apesar da importância desses projetos, muitos questionam a real necessidade da Mozilla recorrer a doações. A organização tem uma parceria de longa data com o Google, que lhe rende centenas de milhões de dólares anualmente para manter a busca do Google como padrão no Firefox.

Em 2020, esse contrato teria gerado entre US$ 400 e US$ 450 milhões para a Mozilla. Além disso, há críticas ao alto salário de executivos da empresa, como a ex-CEO Mitchell Baker, que recebeu US$ 6,9 milhões em 2022.

A parceria entre Google e Mozilla começou em 2005 e foi renovada diversas vezes ao longo dos anos. Em 2014, a Mozilla tentou diversificar suas receitas ao fechar um contrato milionário com o Yahoo!, mas acabou retornando ao Google como seu principal financiador.

Mais recentemente, em meio a investigações antitruste, o Google anunciou mudanças para reduzir a exclusividade de seus contratos e permitir mais concorrência no mercado de buscas.

Enquanto isso, a Mozilla tenta equilibrar sua identidade como organização sem fins lucrativos com sua dependência financeira das grandes empresas de tecnologia.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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