OpenAI pode virar novo monopólio ao comprar o Chrome?

Renê Fraga
3 min de leitura

Durante o julgamento antitruste que pode obrigar o Google a se desfazer de ativos estratégicos, uma declaração da OpenAI acendeu um novo alerta no setor de tecnologia.

Nick Turley, chefe do ChatGPT, afirmou que a empresa estaria interessada em adquirir o navegador Google Chrome caso ele seja colocado à venda por determinação judicial.

A fala, feita sob juramento, rapidamente gerou especulações: o que aconteceria se o navegador mais usado do mundo passasse a ser controlado pela principal empresa de IA do momento?

O interesse da OpenAI faz sentido do ponto de vista estratégico. Hoje, o maior desafio para a empresa é alcançar usuários em larga escala — especialmente nos dispositivos Android, que já vêm com o Gemini, assistente de IA do próprio Google, pré-instalado.

Com o Chrome em mãos, a OpenAI teria um canal direto com bilhões de pessoas no mundo inteiro, podendo oferecer uma experiência “AI-first”, ou seja, totalmente centrada na inteligência artificial desde o momento em que o usuário abre o navegador.

No papel, parece promissor: um navegador redesenhado para antecipar suas necessidades, responder com inteligência e oferecer atalhos personalizados com base em IA.

Mas a realidade traz um ponto de atenção importante: o Google Chrome tem mais de 60% de participação no mercado global.

O que significa que, ao combinar o navegador com suas ferramentas de IA, a OpenAI poderia se transformar no novo “gatekeeper” da internet — ou seja, a empresa por onde quase tudo passa. Na prática, estaríamos trocando um monopólio por outro.

É curioso observar como uma medida pensada para reduzir o poder do Google pode acabar transferindo essa influência para outra gigante emergente.

A OpenAI já domina o imaginário popular com o ChatGPT, DALL·E, Codex e outras soluções de IA. Ao unir esse ecossistema ao navegador mais utilizado do planeta, ela teria uma vantagem imensa na corrida pela integração da inteligência artificial ao dia a dia das pessoas — ao ponto de se tornar praticamente imbatível.

Por isso, especialistas já levantam um novo debate: será que, ao tentar corrigir o monopólio do Google, o mercado estaria criando as bases para um monopólio da OpenAI?

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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