Google explica por que o Chrome não pode ser separado da empresa

Renê Fraga
4 min de leitura

Em um depoimento recente no tribunal, a executiva do Google responsável pelo Chrome, Parisa Tabriz, defendeu que o navegador não pode ser simplesmente “separado” da empresa.

Segundo ela, o Chrome é o resultado de quase duas décadas de integração com outros serviços do Google, como segurança, sincronização de contas e proteção contra senhas vazadas.

“O Chrome hoje representa 17 anos de colaboração intensa entre nossas equipes e todo o ecossistema Google. Tentar desvincular isso seria como desmontar um relógio suíço – tecnicamente possível, mas você nunca mais terá a mesma precisão”, afirmou.

O caso faz parte de uma ação antitruste movida pelo Departamento de Justiça dos EUA, que quer obrigar o Google a vender o Chrome ou compartilhar dados de busca.

A empresa argumenta que isso prejudicaria a experiência do usuário, já que muitos recursos do navegador dependem da infraestrutura do Google.

“Recursos como o Safe Browsing ou nossos alertas de senha comprometida não existiriam isoladamente. Eles dependem diretamente da infraestrutura e inteligência de segurança do Google. Não se trata apenas de código – é sobre proteção real para os usuários”, reforçou Tabriz.

O Chrome é o navegador mais usado no mundo, presente em 66% dos dispositivos, e seu código aberto (Chromium) é mantido majoritariamente pela empresa.

Especialistas do governo alegam que seria tecnicamente possível transferir o Chrome para outra companhia sem quebrar suas funções.

No entanto, Tabriz destacou que o Google é responsável por mais de 90% do desenvolvimento do Chromium desde 2015, com investimentos de centenas de milhões de dólares.

“Desde 2015, mais de 90% das contribuições ao Chromium vieram de nossos engenheiros. Investimos centenas de milhões anualmente e temos cerca de 1.000 especialistas trabalhando exclusivamente nisso. Outras empresas usam o projeto, mas não sustentam seu desenvolvimento. Isso não é crítica – é matemática pura”, explicou.

Além disso, o Chrome está ganhando cada vez mais integração com inteligência artificial, como o Gemini e extensões de terceiros.

A visão do Google é transformá-lo em um navegador “agente”, capaz de automatizar tarefas e oferecer assistência inteligente. Mas, para que tudo funcione perfeitamente, a empresa afirma que o Chrome precisa permanecer dentro de seu ecossistema.

“Estamos construindo um Chrome que vai além de exibir páginas web. Com a integração do Gemini e outras IAs, ele se tornará um assistente pessoal que antecipa necessidades. Como eu disse em um e-mail interno este ano: ‘Vemos um futuro de múltiplos agentes, onde o Chrome integra o Gemini como principal, mas permite que os usuários escolham outras opções’. Essa visão só faz sentido dentro do nosso ecossistema”, completou a Googler.

O juiz Amit Mehta deve decidir nos próximos meses se aceita os argumentos do Google ou se determina mudanças radicais para o Chrome. Enquanto isso, a empresa segue investindo pesado no navegador.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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