Enquanto o Google liberou o Pix por aproximação, Apple quer cobrar taxa pelo serviço

Renê Fraga
3 min de leitura

A funcionalidade de “Pix por aproximação” chegou ao Brasil em fevereiro de 2025, permitindo que usuários de dispositivos Android realizem pagamentos instantâneos apenas aproximando o celular da maquininha, sem a necessidade de digitar senhas ou escanear QR Codes.

Essa inovação foi implementada pelo Google em parceria com o Banco Central, visando facilitar o uso do Pix no comércio físico. No entanto, usuários de iPhone ainda não têm acesso a esse recurso.

O motivo principal para a ausência do Pix por aproximação nos iPhones está relacionado à política da Apple sobre o uso da tecnologia NFC (Near Field Communication), essencial para esse tipo de pagamento.

A empresa controla o acesso a essa funcionalidade e exige que desenvolvedores integrem seus aplicativos por meio de APIs específicas, as quais são disponibilizadas apenas para apps que utilizam o Apple Pay.

Consequentemente, bancos e carteiras digitais que não operam com o Apple Pay não conseguem acessar o NFC do dispositivo para implementar o Pix por aproximação.

Além disso, a Apple cobra uma taxa para que terceiros utilizem o NFC em seus dispositivos. Essa cobrança tem sido um obstáculo para a implementação do Pix por aproximação no iPhone, uma vez que o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil é gratuito para pessoas físicas.

Especialistas do setor financeiro apontam que repassar essa taxa para os consumidores não seria viável, já que o Pix não envolve custos adicionais.

Em resposta a uma investigação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Apple argumentou que não há monopólio, pois os iPhones representam apenas 10% do mercado brasileiro de celulares.

A empresa afirmou que “não há evidências de qualquer dano aos serviços de pagamento com aparelhos móveis no Brasil ou aos consumidores brasileiros” e que a cobrança de taxas é uma prática legítima, já que “não há nada na lei brasileira que impeça a Apple de cobrar uma taxa pelos seus serviços”.

Enquanto isso, o Google segue ampliando o acesso ao Pix por aproximação em dispositivos Android. A funcionalidade já está disponível para clientes de instituições financeiras como C6 Bank, PicPay e Itaú.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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