Google transforma a Busca com IA, mas pode acabar enterrando a web no processo

Renê Fraga
2 min de leitura

Nos últimos meses, o Google vem promovendo mudanças profundas na forma como buscamos informações na internet.

Com o lançamento dos chamados AI Overviews (ou “visões gerais com IA”) e o novo “Modo IA”, a empresa está apostando alto em resumos automáticos gerados por inteligência artificial.

Mas essas novidades levantam uma questão importante: o que acontece com os sites que antes eram os protagonistas dos resultados?

Os AI Overviews já estão disponíveis para muitos usuários: são pequenos blocos de texto que aparecem no topo da página com respostas resumidas e extraídas de diferentes sites, com o objetivo de resolver sua dúvida antes mesmo que você clique em algo.

Já o Modo IA vai além. Trata-se de uma versão totalmente nova da busca do Google, com respostas mais conversacionais, que dividem sua pergunta em vários tópicos, pesquisam por você e organizam os resultados com base na “inteligência” do sistema.

Mas essa revolução tem um custo. Sites que antes recebiam milhões de visitantes vindos do Google estão sendo deixados de lado.

Com o conteúdo sendo resumido direto na página de busca, o clique, que sempre foi a base do tráfego da internet, se torna dispensável. Em muitos casos, os links continuam visíveis, mas como meras referências de rodapé, e não mais como o destino principal do usuário.

Na prática, o Google está se distanciando do modelo tradicional em que ajudava usuários a encontrar páginas e enviava tráfego em troca.

Agora, ele busca manter o usuário dentro da sua própria plataforma, mesmo que isso signifique limitar o alcance de sites pequenos, blogs independentes e portais especializados.

Para muitos especialistas, essa mudança pode significar um “apagão” gradual na diversidade de conteúdos online.

E embora o Google diga que tudo isso é parte de um salto para uma internet mais inteligente, fica no ar a pergunta: quem vai manter viva a web aberta se ninguém mais estiver clicando nela?

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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