Sergey Brin: IA do Google já analisa até mil resultados para responder você

Renê Fraga
4 min de leitura

Em uma conversa recente, Sergey Brin, cofundador do Google, revelou como a inteligência artificial está transformando radicalmente a forma como usamos a busca.

Em vez de simplesmente listar links, os sistemas de IA do Google já são capazes de realizar pesquisas profundas, analisando até os mil principais resultados de uma consulta para oferecer uma resposta clara, precisa e contextualizada.

“Se a IA analisar os mil primeiros resultados e ainda fizer buscas complementares para cada um deles, isso representa uma semana de trabalho para mim. Eu não conseguiria fazer isso sozinho”, comentou Brin, destacando o poder de escala da tecnologia.

Esse avanço marca uma virada histórica no funcionamento da busca online. Brin explicou que a missão da IA é ir além da simples recuperação de links e passar a sintetizar conhecimento.

Segundo ele, isso muda a lógica do que entendemos por “pesquisar”.

“A parte empolgante da IA, especialmente agora, é que ela pode fazer coisas em uma escala que eu não posso. Mesmo que eu consiga revisar os 10 primeiros resultados manualmente, a IA consegue ir muito além — e fazer isso em segundos.”

Brin também revelou que os modelos de aprendizado de máquina do Google estão se unificando. Antigamente, a empresa usava diferentes sistemas para interpretar texto, imagens, vídeos e áudios. Hoje, tudo está migrando para um modelo único e mais poderoso, baseado na arquitetura conhecida como Transformers.

“As coisas estão convergindo. Antes, tínhamos redes convolucionais para visão, RNNs para texto e fala… Agora, tudo está migrando para os Transformers. E cada vez mais, estamos lidando com apenas um modelo geral.”

Ele também relembrou o projeto Google Glass, admitindo que foi lançado antes do tempo ideal.

“Eu meio que estraguei aquilo, pra ser honesto. Errei totalmente o timing. Havia muitas coisas que eu gostaria de ter feito diferente, mas a verdade é que a tecnologia ainda não estava pronta.”

Apesar disso, Brin acredita que as interfaces multimodais — em que a IA entende o que vemos e ouvimos — têm muito potencial, e que os desafios técnicos, como a duração da bateria, estão sendo superados.

Quando perguntado sobre o futuro da inteligência artificial, Brin foi cauteloso:

“É difícil prever o futuro, especialmente com o ritmo acelerado em que a tecnologia está avançando. Muita gente fala em singularidade chegando em cinco anos… mas olhar além disso é muito difícil.”

Sergey também comentou sobre o uso de IA com publicidade e serviços pagos. Ele defendeu o modelo de oferecer versões gratuitas com acesso limitado aos modelos mais avançados, enquanto versões mais recentes e poderosas são reservadas para usuários pagos.

“Hoje está gratuito e sem anúncios. Mas não dá pra oferecer os modelos mais avançados para todos de forma ilimitada desde o início. Em três meses, o modelo que era top vira gratuito, e o novo top assume o lugar.”

Com essas declarações, Brin ajuda a pintar um retrato do futuro próximo: um Google onde a IA não apenas encontra a informação, mas a entende, conecta os pontos e entrega a você de forma clara, quase como um assistente pessoal hiperinteligente.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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