Startup apoiada pela Microsoft vai à falência após fraude com 700 funcionários fingindo ser IA

Renê Fraga
2 min de leitura

Um escândalo recente abalou o setor de tecnologia e chamou a atenção até de quem não costuma acompanhar o mundo da inteligência artificial.

A Builder.ai, uma startup com sede em Londres que se dizia especialista em soluções de IA para criação de aplicativos, entrou com pedido de falência após a descoberta de uma fraude que vinha sendo praticada nos bastidores da empresa.

Apesar de prometer um sistema automatizado baseado em inteligência artificial para ajudar empresas a desenvolverem seus próprios aplicativos de forma rápida e prática, a verdade por trás do serviço era bem diferente.

Em vez de uma IA de verdade, a Builder.ai usava uma equipe de 700 pessoas na Índia para realizar as tarefas manualmente, tudo isso sem o conhecimento dos clientes.

Os usuários achavam que estavam interagindo com algoritmos avançados, mas na prática estavam sendo atendidos por seres humanos treinados para parecerem robôs.

A empresa já era vista com certa desconfiança desde 2019, quando especialistas começaram a questionar se a inteligência artificial usada era realmente autêntica.

Mesmo assim, a Builder.ai conseguiu conquistar grandes parceiros, como a Microsoft. Em 2023, as duas empresas anunciaram uma colaboração estratégica, com direito a integração com o Microsoft Teams e até investimento direto da gigante de Redmond.

Na ocasião, a Microsoft chegou a dizer que a Builder.ai estava “criando uma nova categoria que permite que qualquer pessoa se torne desenvolvedor”.

Tudo começou a desmoronar no mês passado, quando a empresa financeira Viola Credit bloqueou US$ 37 milhões da Builder.ai e descobriu inconsistências nas finanças da startup. A análise revelou que as receitas previstas para 2024 estavam infladas em 300%.

Com o pedido de falência, mais de 500 funcionários perderam seus empregos, e a Microsoft deve ficar no prejuízo com uma dívida de mais de US$ 30 milhões em serviços de nuvem não pagos.

O caso agora está sendo investigado por autoridades nos Estados Unidos, que exigem documentos financeiros e de clientes para apurar os detalhes da fraude.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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