Google sobre julgamento no STF: responsabilizar redes não impede conteúdos indesejados

Renê Fraga
3 min de leitura

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quarta-feira (11) a favor da responsabilização de redes sociais por conteúdos postados por seus usuários.

A decisão histórica reacendeu o debate sobre o papel das plataformas na moderação de conteúdos e os limites da liberdade de expressão online.

Em resposta, o Google divulgou um posicionamento crítico à proposta. Segundo a empresa, tornar as redes legalmente responsáveis pelo que os usuários publicam não vai resolver o problema da circulação de conteúdos indesejados ou ilegais.

Na visão da gigante da tecnologia, o caminho mais eficaz seria o aprimoramento do Marco Civil da Internet, a legislação brasileira que estabelece os direitos e deveres no ambiente digital.

“Abolir regras que separam a responsabilidade civil das plataformas e dos usuários não contribuirá para o fim da circulação de conteúdos indesejados na internet”, afirmou o Google em nota ao g1.

A empresa defende que o Marco Civil seja modernizado, mas com critérios claros que evitem insegurança jurídica e remoções excessivas de conteúdo.

Para o Google, é essencial manter garantias legais que protejam tanto os usuários quanto a integridade do debate público online.

O Google também destacou que já realiza, em larga escala, a remoção de conteúdos que violam as regras de suas plataformas.

De acordo com a empresa, centenas de milhões de itens são retirados todos os anos, seguindo as políticas públicas de produtos como YouTube, Google Busca e Blogger.

Ainda assim, a big tech reconhece que, mesmo com recursos tecnológicos avançados, nenhuma empresa consegue moderar todos os conteúdos indesejados sozinha.

“Boas práticas de moderação não dão conta da variedade e profundidade dos conteúdos controversos que surgem todos os dias — reflexo direto da complexidade da própria sociedade”, reforçou o Google.

Por fim, a empresa lembrou que o Marco Civil da Internet já prevê a atuação do Judiciário como o principal instrumento para determinar quando e como conteúdos devem ser removidos.

Na visão do Google, essa atuação judicial é fundamental para distinguir com clareza o que é um discurso ilícito e o que é apenas uma crítica legítima, um equilíbrio essencial em qualquer democracia.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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