Muita gente está dizendo na internet que a brasileira Juliana Marins, perdida em uma ladeira do Monte Rinjani, na Indonésia, poderia receber mantimentos por drone — afinal, há planos do Google Wing para entregas até 2027.
Atualização 24/06 às 11h30: Com profundo pesar, informamos, de acordo com o G1, que Juliana Marins foi encontrada sem vida. Manifestamos nossa solidariedade e desejamos muita força à família, aos amigos e a todos que acompanhavam as buscas, neste momento de imensa dor.
Mas na realidade, a situação é muito mais complexa que isso, especialmente em um resgate de emergência em terreno selvagem. Veja por quê:

1. Localização está escondida e a visibilidade é baixa
- Juliana está presa a cerca de 500 m abaixo da trilha sinalizada, em uma região com penhascos verticais, sobrehangs (gargantas) e névoa espessa.
- Drones comerciais precisam de linha de visão clara para pousar ou baixar carga com precisão. Ventos, fumaça ou neblina tornam isso quase impossível.
2. Correntes de ar e instabilidade do terreno
- O Monte Rinjani é um vulcão ativo: com correntes térmicas, ventos fortes e microclimas, o que torna o voo instável. Um pacote lançado por drone pode ser arremessado por penhascos ou cair “fora de alcance”, indo parar por baixo de pedras.
3. Desafios técnicos dos drones de entrega atuais
- Mesmo em testes controlados, drones enfrentam problemas com tamanho da carga, duração da bateria, precisão de GPS e capacidade de voar em locais com obstáculos fortes.
- O Project Wing, da Alphabet (Google), já testou protótipos, mas constatou que ventos fortes “arrastavam” o drone, dificultando controle e segurança. Por isso trocaram o design e ainda não lançaram comercialmente.
4. A meta do Wing é urbana, não áreas de resgate como vulcões
- Os drones do Google Wing e do Amazon Prime Air foram projetados para entregar pacotes leves em áreas urbanas ou fazendas, locais mais previsíveis e estáveis. O plano é chegar a escala apenas em alguns anos, e isso em condições abertas de voo.
- Resgates em terreno acidentado demandam drones especializados, mais robustos, com visão computacional 3D em tempo real, sensores infravermelho, controle manual constante e ainda assim podem falhar.
5. Prioridade: resgatar, não só alimentar
- Mandar comida e água sem tirar Juliana dali não resolve o problema real: ela está presa num local inacessível.
- Todas as operações têm focado em extrair Juliana com segurança usando helicópteros quando possível, rapel com equipes experientes, e não apenas a sobrevivência por drone remoto.
Mesmo que a tecnologia de drones esteja avançando e empresas como Google Wing estejam prometendo entregas urbanas a partir de 2027, esses equipamentos não são apropriados para terrenos extremos como no Monte Rinjani.
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