Google lança AlphaGenome: IA que ajuda cientistas a entender como nosso DNA funciona

Renê Fraga
3 min de leitura

Em 2003, os cientistas conseguiram sequenciar o genoma humano, revelando as três bilhões de letras que compõem nosso DNA. Mas até hoje ainda não sabemos exatamente o que cada uma dessas letras faz no organismo.

Pensando nisso, a DeepMind, divisão de inteligência artificial do Google, desenvolveu o AlphaGenome, um modelo de IA que promete ajudar a responder essa pergunta.

Ele consegue prever como pequenas mudanças no DNA podem afetar a atividade dos genes e diversos processos moleculares importantes para a vida.

AlphaGenome é um avanço que complementa o trabalho feito há cinco anos com o AlphaFold, tecnologia da DeepMind que revelou a forma tridimensional das proteínas e que rendeu um Nobel para seus criadores.

Enquanto o AlphaFold abriu caminhos na descoberta de medicamentos, o AlphaGenome quer facilitar o trabalho dos biólogos ao explicar como as alterações nas letras do DNA influenciam a saúde das pessoas.

Segundo especialistas, essa é a ferramenta mais poderosa já criada para entender as diferenças genéticas entre as pessoas.

Uma das grandes vantagens do AlphaGenome é permitir que experimentos feitos em laboratórios possam ser simulados virtualmente, economizando tempo e recursos.

Por exemplo, quando pesquisadores estudam o DNA de milhares de pessoas, encontram variações que aumentam ou diminuem o risco de doenças como Alzheimer.

Com a nova IA, é possível prever rapidamente qual dessas variações realmente afeta o funcionamento dos genes e onde os cientistas podem atuar para desenvolver tratamentos.

Apesar do potencial, o AlphaGenome não foi criado para fazer previsões sobre características pessoais, como os testes genéticos que identificam traços ou ancestralidade.

A tecnologia usa a mesma arquitetura de IA por trás de modelos de linguagem como o GPT-4, treinada com dados públicos de pesquisas científicas.

Para o futuro, pesquisadores esperam que o AlphaGenome possa ajudar a identificar mutações raras em cânceres ou doenças genéticas pouco conhecidas, apontando para diagnósticos mais precisos e tratamentos melhores.

Esse é um passo importante para entender a fundo o que nosso DNA diz sobre nossa saúde.

Arte: Wired

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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