Google compra energia de fusão nuclear que ainda nem existe

Renê Fraga
2 min de leitura

O Google anunciou um acordo inédito com a empresa americana Commonwealth Fusion Systems para adquirir 200 megawatts de energia gerada por fusão nuclear — mesmo que essa eletricidade ainda não exista.

O contrato se refere à primeira usina comercial de fusão da empresa, que só deve começar a operar na década de 2030, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos.

A fusão nuclear é considerada a “energia das estrelas” por ser o mesmo processo que ocorre no Sol, onde dois átomos se fundem para liberar uma quantidade imensa de energia.

Ao contrário da fissão nuclear (usada em usinas tradicionais), a fusão não gera resíduos radioativos e não contribui para o aquecimento global. A matéria-prima também é abundante: vem do hidrogênio presente na água do mar e do trítio, extraído do lítio.

O Google não apenas firmou o contrato de compra antecipada, como também fez um novo aporte financeiro na Commonwealth para acelerar o desenvolvimento do reator SPARC, que está sendo construído em Massachusetts.

A empresa espera que, com o avanço dessa tecnologia, seja possível utilizar a fusão como fonte limpa e constante de energia para abastecer seus data centers e sistemas de inteligência artificial, que consomem muita eletricidade de forma contínua.

Apesar de ainda não existir um reator capaz de gerar mais energia do que consome, o investimento do Google sinaliza que a corrida pela fusão está esquentando.

Segundo Bob Mumgaard, CEO da Commonwealth, este é o maior contrato de fornecimento de energia por fusão já feito, e a entrada do Google permitirá que a empresa avance de forma paralela em suas duas frentes: finalizar o SPARC e começar a construir a futura planta comercial chamada ARC.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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