Cloudflare cria sistema para cobrar IAs que acessam conteúdos da web

Renê Fraga
2 min de leitura

A Cloudflare anunciou uma importante mudança em sua política de proteção de sites: a partir de agora, os rastreadores de inteligência artificial (IAs) serão bloqueados por padrão, a menos que paguem pelo acesso ao conteúdo.

A empresa está implementando uma nova ferramenta chamada Pay per Crawl, que pretende criar um modelo de compensação mais justo para os criadores de conteúdo online.

Segundo Matthew Prince, CEO da Cloudflare, a relação entre os sites e os motores de busca, que até então funcionava como uma troca equilibrada, está quebrada.

No passado, ao permitir que buscadores como o Google acessassem e indexassem seus conteúdos, os sites recebiam tráfego em troca.

Mas com o avanço das IAs, esse tráfego caiu drasticamente, enquanto os robôs continuam a consumir grandes volumes de informação sem oferecer retorno direto aos criadores.

Dados recentes divulgados pela própria Cloudflare mostram a disparidade. A plataforma Claude, da Anthropic, por exemplo, fez quase 71 mil requisições de páginas para cada visitante enviado a um site.

Outras empresas de IA apresentaram proporções semelhantes, como OpenAI (1.600:1), Perplexity (202:1) e Microsoft (40:1).

O que significa que as IAs estão se beneficiando amplamente do conteúdo da internet, mas sem gerar visibilidade ou receita para os responsáveis por esse conteúdo.

Para tentar equilibrar essa situação, a Cloudflare quer funcionar como uma espécie de intermediária: as empresas de IA que desejarem continuar acessando os sites protegidos pela plataforma precisarão pagar.

O sistema já está em fase de testes e, segundo a empresa, será possível que cada site defina suas próprias regras, desde liberar o acesso gratuitamente até bloquear totalmente ou cobrar por ele.

A proposta pode tornar a web menos aberta, mas pode ser essencial para manter a produção de conteúdo sustentável na era da inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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