Google quer usar IA para criar remédios e já prepara testes em humanos

Renê Fraga
2 min de leitura

A Alphabet, dona do Google, está prestes a iniciar uma nova fase no uso da inteligência artificial na medicina.

Sua empresa de biotecnologia, a Isomorphic Labs, criada a partir da DeepMind e da tecnologia AlphaFold, está se preparando para os primeiros testes clínicos em humanos com medicamentos desenvolvidos com o apoio da IA.

Segundo Colin Murdoch, presidente da Isomorphic Labs e diretor de negócios da Google DeepMind, esse avanço marca o início de uma nova era na descoberta de remédios.

“O próximo grande marco é realmente partir para os testes clínicos, começando a aplicar essas soluções em seres humanos”, afirmou Murdoch em entrevista à revista Fortune. “Estamos reforçando nossas equipes. Estamos muito próximos.”

A Isomorphic Labs nasceu a partir do AlphaFold, um sistema de IA que ganhou destaque por conseguir prever a estrutura de proteínas com altíssima precisão — uma peça-chave no processo de criação de medicamentos.

Agora, a tecnologia evoluiu e consegue também simular como essas proteínas interagem com outras moléculas, como o DNA e substâncias químicas, acelerando a descoberta de novas fórmulas.

“Isso foi o que inspirou a criação da Isomorphic Labs”, disse Murdoch. “Mostra que é possível construir algo fundamental com IA para desbloquear novas possibilidades na descoberta de remédios.”

Além de criar seus próprios medicamentos para áreas como oncologia e imunologia, a empresa já apoia projetos de grandes farmacêuticas, como Novartis e Eli Lilly.

Em abril de 2025, a Isomorphic arrecadou US$ 600 milhões em sua primeira rodada de investimentos externos.

O objetivo da empresa é claro: unir especialistas em aprendizado de máquina com veteranos da indústria farmacêutica para criar remédios com mais rapidez, menor custo e maior taxa de sucesso.

“Estamos tentando acelerar tudo, reduzir os custos, mas também realmente aumentar a chance de sucesso”, explicou Murdoch. “Um dia, esperamos poder dizer: aqui está uma doença, apertamos um botão e sai o design de um medicamento. Tudo alimentado por essas ferramentas incríveis de inteligência artificial.”

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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