Um relatório recente da ONU reacendeu tensões dentro do Google, ao apontar que empresas de tecnologia estariam se beneficiando do conflito entre Israel e Hamas por meio do fornecimento de serviços de nuvem e inteligência artificial.
A resposta veio diretamente de Sergey Brin, cofundador do Google, que usou um fórum interno da empresa para criticar duramente o conteúdo do documento e a atuação da própria organização internacional.
Segundo capturas de tela revisadas pelo The Washington Post, Brin se manifestou no fórum do Google DeepMind, divisão de inteligência artificial da empresa.
Ele classificou o relatório como ofensivo para a comunidade judaica e questionou a credibilidade da ONU.
“Com todo o respeito, usar o termo genocídio em relação a Gaza é profundamente ofensivo para muitos judeus que sofreram genocídios reais”, escreveu. E completou: “Eu também teria cuidado ao citar organizações abertamente antissemitas como a ONU nesses assuntos.”
O documento da ONU foi elaborado por Francesca Albanese, relatora especial da organização para os territórios palestinos ocupados.
O texto cita o Projeto Nimbus, um contrato de US$ 1,2 bilhão firmado por Google e Amazon com o governo israelense em 2021, como exemplo de como as empresas teriam fornecido infraestrutura crítica em nuvem e inteligência artificial para as forças armadas de Israel.
O relatório afirma que essas tecnologias foram essenciais após os ataques do Hamas em outubro de 2023, quando a nuvem militar israelense entrou em colapso.
Sergey Brin raramente se pronuncia em fóruns internos da empresa, mas disse que sua resposta foi motivada por um “relatório claramente tendencioso e enganoso”.
“Meus comentários vieram em resposta a uma discussão interna que estava citando um relatório claramente tendencioso e enganoso”, disse Brin em um comunicado fornecido por seu porta-voz.
A fala dele gerou reações mistas entre funcionários. É importante lembrar que Brin é filho de judeus russos que emigraram para os Estados Unidos fugindo do antissemitismo na antiga União Soviética.
Desde o início do conflito em Gaza, o Google vem enfrentando protestos de funcionários contrários à parceria com o governo israelense. Em 2024, alguns chegaram a ser demitidos após manifestações contra o contrato com Israel.
A ONU e o Google não comentaram oficialmente o episódio até o momento.
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