Fundador do Google Brain diz que inteligência artificial geral (AGI) está sendo supervalorizada

Renê Fraga
3 min de leitura

Andrew Ng, fundador do Google Brain e um dos principais nomes da inteligência artificial, afirmou que a chamada inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) está sendo supervalorizada.

Durante uma palestra publicada pelo Y Combinator, Ng foi direto ao dizer que “a AGI tem sido superestimada” e reforçou que, apesar do avanço da tecnologia, “por muito tempo, haverá muitas coisas que os humanos conseguem fazer e que a IA ainda não será capaz de realizar”.

Para quem não está familiarizado com o termo, AGI se refere a sistemas de inteligência artificial com capacidades cognitivas semelhantes às dos seres humanos, como aprender, pensar e se adaptar a diferentes situações.

No entanto, Ng acredita que esse cenário ainda está distante. Para ele, o foco atual deveria estar no uso prático das ferramentas já disponíveis.

“Alguns de nós vão construir ferramentas de vez em quando, mas haverá muitas outras ferramentas que outras pessoas vão construir e que nós poderemos simplesmente usar”, explicou.

Em sua fala, Ng destacou que o diferencial no futuro será saber aplicar a IA no dia a dia. “As pessoas que sabem como usar IA para fazer os computadores realizarem o que elas querem serão muito mais poderosas”, afirmou.

Ele também reforçou que o avanço da inteligência artificial não significa que os humanos ficarão sem ocupações: “Não precisamos nos preocupar com a ideia de que as pessoas ficarão sem o que fazer”.

Andrew Ng não é o único especialista que adota uma visão mais cautelosa sobre a AGI. Yann LeCun, cientista-chefe de IA da Meta, já afirmou que os modelos de linguagem atuais são “surpreendentes, mas limitados”, e que eles “não são um caminho para o que as pessoas chamam de AGI”.

Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, declarou recentemente que “a AGI está sendo ao mesmo tempo superestimada no curto prazo e subestimada no impacto que terá em um horizonte de dez anos”.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, também criticou a corrida por resultados em benchmarks, chamando esse movimento de “benchmark hacking”, em referência ao esforço para fazer IAs parecerem mais avançadas do que realmente são.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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