YouTube não baniu conteúdos com IA, mas apertou o cerco contra vídeos de baixa qualidade

Renê Fraga
3 min de leitura

Nos últimos dias, posts dramáticos tomaram conta das redes sociais afirmando que o YouTube “baniu” vídeos feitos com inteligência artificial e que milhares de criadores “perderam a grana”.

Mas será que isso é verdade? A resposta curta é: não é bem assim.

A plataforma anunciou uma atualização em sua política de monetização, válida a partir de 15 de julho de 2025, com foco em conteúdos que ela chama de “inauthentic content”, ou seja, vídeos de baixa qualidade, repetitivos, produzidos em massa e sem esforço criativo.

E sim, isso inclui alguns exemplos que ficaram populares graças ao uso indiscriminado de IA, como:

  • Compilações de clipes de filmes ou séries sem comentários ou análises.
  • Vídeos narrados com vozes sintéticas que não adicionam contexto ou opinião.
  • Shorts com modelos repetitivos, como frases motivacionais sobrepostas a imagens de arquivo.
  • Reações sem voz ou interação real com o conteúdo original.

Esses formatos já vinham sendo desmonetizados há algum tempo por violarem diretrizes de conteúdo repetitivo.

A novidade agora é a clareza da política, que torna mais explícito o que a plataforma considera “sem valor agregado” para o espectador, independentemente de ser feito com IA ou não.

IA não é o problema. O problema é a falta de esforço criativo

Diferente do que muitos influenciadores têm publicado, o YouTube não proibiu o uso de IA em vídeos.

Criadores que utilizam ferramentas de IA para gerar ideias, apoiar a edição, criar efeitos visuais ou até mesmo roteirizar conteúdo continuam podendo monetizar normalmente, desde que entreguem valor, narrativa e contexto. O próprio YouTube reforça que a decisão não afeta quem utiliza IA de forma criativa ou original.

O objetivo principal da mudança é melhorar a qualidade do inventário publicitário. Quando o vídeo é mais envolvente, com contexto e engajamento real, ele entrega anúncios de maneira mais eficaz, o que atrai marcas com orçamentos maiores e aumenta o faturamento da plataforma e dos criadores.

E os números?

Outro ponto exagerado nas redes: comparações como “vídeos de IA rendem só US$ 300 por 1 milhão de views, enquanto criadores reais chegam a US$ 6 mil”.

Esses valores não são oficiais e variam imensamente de acordo com nicho, região, público-alvo e tipo de anúncio. Não existe uma tabela fixa, e números assim costumam ser especulativos.

Em vez de um “banimento da IA”, o que aconteceu foi um passo do YouTube para reafirmar seu compromisso com conteúdo autêntico e de qualidade.

Criadores reais, que investem tempo e criatividade, naturalmente saem ganhando, mas isso não significa que o uso de IA tenha sido excluído da plataforma.

O que está sendo combatido é o conteúdo automatizado e genérico, que não contribui para a experiência do usuário.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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