O que pode acontecer com o Waze e Google Maps se o uso de satélites e GPS for bloqueado no Brasil

Renê Fraga
4 min de leitura

Um possível bloqueio do acesso ao sistema de satélites e GPS no Brasil, mencionado em uma recente reportagem da Folha de S.Paulo, levantou dúvidas e preocupações entre usuários de tecnologia.

O alerta veio em meio a tensões diplomáticas, com fontes do governo dos EUA afirmando que medidas mais severas podem ser adotadas contra o país.

Mas, na prática, o que isso significaria para ferramentas essenciais do dia a dia como o Google Maps e o Waze?

Primeiro, o que é o GPS?

O GPS (Global Positioning System) é um sistema de navegação por satélite operado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Ele permite que dispositivos como celulares, carros, relógios inteligentes e até tratores agrícolas localizem sua posição geográfica com alta precisão.

É essa tecnologia que alimenta apps como Google Maps, Waze, Uber, iFood e tantos outros que dependem de localização em tempo real.

O que acontece se o Brasil perder o acesso ao GPS?

Se os Estados Unidos bloquearem o uso do GPS no Brasil, o impacto seria imediato e amplo.

Aplicativos de navegação como Google Maps e Waze ficariam inoperantes ou extremamente imprecisos, já que deixariam de receber os sinais dos satélites que informam a posição exata do dispositivo. Isso afetaria desde a estimativa de rotas até a visualização de tráfego em tempo real.

Além do transporte, outros setores seriam prejudicados: aviação, agricultura de precisão, logística, entregas e até operações bancárias que usam GPS como parte de protocolos de segurança.

Existem alternativas ao GPS?

Sim, mas com limitações. Há outros sistemas de navegação por satélite, como:

  • GLONASS (Rússia)
  • Galileo (União Europeia)
  • BeiDou (China)
  • IRNSS (Índia, com cobertura regional)

Alguns smartphones mais recentes conseguem captar sinais desses sistemas alternativos, mas o suporte ainda não é universal.

Além disso, a infraestrutura desses sistemas pode não ser suficiente ou totalmente otimizada para atender à demanda no Brasil, o que comprometeria a precisão e a confiabilidade dos dados de localização.

Google Maps e Waze funcionariam com essas alternativas?

Possivelmente sim, mas com limitações. O Google Maps e o Waze já usam múltiplas fontes de informação para tentar garantir a melhor precisão possível.

Em ambientes urbanos, por exemplo, eles podem combinar dados de redes Wi-Fi, torres de celular e sensores do próprio aparelho para estimar a localização do usuário.

No entanto, sem GPS, essa estimativa fica menos precisa, especialmente em áreas abertas ou rurais, onde não há tantas redes para ajudar no posicionamento.

O que isso tudo significa para o usuário comum?

Se houver um bloqueio real do GPS no Brasil, a navegação por apps pode voltar ao nível de imprecisão dos anos 2000, com erros de localização, rotas equivocadas e dificuldade para encontrar lugares.

Serviços de entrega e transporte ficariam mais lentos e sujeitos a falhas. Em casos mais graves, como em emergências médicas ou segurança pública, a ausência do GPS poderia colocar vidas em risco.

É algo que realmente pode acontecer?

Tecnicamente, sim. O GPS é um sistema controlado pelos EUA e seu acesso civil pode ser restringido em casos de sanções.

Mas, historicamente, esse tipo de bloqueio total é raro, por envolver impactos econômicos e humanitários severos.

Ainda assim, o alerta serve para lembrar como dependemos fortemente de tecnologias estrangeiras invisíveis, mas vitais.

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Renê Fraga é fundador do Google Discovery (GD) e editor-chefe do Eurisko. Profissional de marketing digital, com pós-graduação pela ESPM, acompanha o Google desde os anos 2000 e escreve há mais de duas décadas sobre tecnologia, produtos digitais e o ecossistema da empresa. Criador do Google Discovery em 2006, tornou-se referência na cobertura do Google no Brasil e foi colunista do TechTudo (Globo.com), compartilhando análises e conhecimento com um grande público.
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